quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Resenha: Como Tatuagem

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''Na Minha Estante'' Assegura: A resenha a seguir está completamente livre de Spoilers... Leia sem Moderação e divirta-se!
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Sinopse:
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Um retrato empolgante e perspicaz das nossas vivências contemporâneas no amor. Artur é um cara rico, superficial e egoísta. Bonito e popular entre as mulheres, não tem o menor respeito por elas. Sua rotina de prazeres e privilégios é interrompida quando ele sofre um grave acidente de carro.
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 É assim que conhece Lúcia, a fisioterapeuta contratada por sua mãe para ajudá-lo na recuperação. A moça sofre o preconceito que persegue os portadores de vitiligo. De temperamento doce, porém decidido, Lúcia tem uma consciência peculiar e aguda sobre o mundo. Mas, após uma grande perda, suas certezas desabam. 
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O encontro de duas pessoas tão diferentes vai gerar muito atrito, mas com o tempo Lúcia e Artur vão descobrir algumas das infinitas facetas do amor e, entre conquistas, medos, perdas e paixões, verão suas vidas transformadas para sempre.
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O que eu achei?
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Falar sobre Como Tatuagem vai ser extremamente difícil, pois eu realmente não sei explicar bem o que eu senti ao ler o livro. Compaixão? Julgamento? Empatia? Raiva? Esperança? Decepção? Eu não sei. O mais certo seria dizer que senti tudo isto, e ainda assim acho que não estaria fazendo jus ao romance.
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Acho que o melhor que eu posso dizer é que este foi o romance mais cru que li faz muito tempo. Isto se reflete no texto cortante do Walter Tierno e na voz real e sem filtros que ele dá ao seu casal protagonista. Tanto o mimado Artur quanto a geniosa Lúcia possuem um tom quase que agressivo ao conversar com o leitor, e talvez tenha sido justamente toda esta falta de dedos que me fez devorar o livro. Pois mesmo ele sendo um cadeirante e ela uma portadora de vitiligo, a história não reduz eles a isto.
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E este detalhe foi sensacional. Eu conseguia me irritar com a Lucia e queria dar um murro na cara do Artur mesmo ele vivendo o drama de perder as pernas e ela lidando com o preconceito por ter uma doença de pele tão aparente. E mesmo ambos sendo personagens tão cheios de defeitos, quando dei por mim, estava me importando de verdade com eles. E quando algum deles falhava - principalmente o babaca do Artur - eu me decepcionava, pois esperava mais de ambos em determinada situação.
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Por isso talvez o final tenha mexido tanto comigo. Racionalmente, sabia que aquilo era importante para a virada da história... Mas emocionalmente? Eu só queria entrar no livro e tentar concertar as burradas cometidas. E me segurar para não dar um soco em alguém... E dizer para outro alguém não facilitar as coisas no último capítulo. Pois este era o meu nível de ligação com a história.
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E mesmo estando nos 45 minutos do segundo tempo, mesmo odiando e amando estes personagens de um capítulo para o outro, eu não poderia ter outra certeza além de ter encontrado um dos Bookcrushes mais impactantes do ano.
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Sobre o autor:
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Walter Tierno trabalhou como publicitário por quase 20 anos. Um dia, resolveu que seu prazo de validade na profissão havia expirado e resolveu se dedicar somente à escrita. Isso foi em 2011. Um pouco antes, viveu sua primeira aventura como autor em 2000, com uma história em quadrinhos chamada Curtan, que publicou com recursos próprios. Um merecido e assumido fiasco.
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Em 2002, para exorcizar a frustração, criou Cira. Utilizando história e mitologia brasileiras, e influenciado pelas obras de Tolkien e Robert E. Howard, escreveu e publicou “Cira e o Velho” em 2010. Seu segundo livro, “Anardeus, no calor da destruição”, foi publicado em 2013. Também tem um conto publicado na coletânea “Amor Lobo”. Os três livros foram lançados pela Giz Editorial, onde, atualmente, presta serviços como editor.
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TÍTULO: Como Tatuagem
AUTOR: Walter Tierno
EDITORA: Verus
PÁGINAS: 308
NOTA: 5 Estrelas + Bookcrush

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