quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Resenha: À Procura de Audrey

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''Na Minha Estante'' Assegura: A resenha a seguir está completamente livre de Spoilers... Leia sem Moderação e divirta-se!
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Sinopse:
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Audrey é uma adolescente comum, igualzinha a tantas. Com 14 anos, estuda, se apaixona, entra em conflito com os pais, sonha, confia nas amigas. Até que começa a ser vítima de bullying. No início, parecia apenas uma pequena implicância, mas a provocação vai aumentando. Logo, a menina não consegue mais frequentar o colégio, nem ao menos sair de casa. O diagnóstico? Transtorno de ansiedade social, transtorno de ansiedade generalizada e episódios depressivos. 
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Com a ajuda da Dra. Sarah, Audrey começa um lento, mas decisivo, caminho rumo à recuperação. E quando conhece Linus, parceiro de games do irmão, ela sente uma ligação. Seu sorriso de gominho de laranja é encorajador, e eles podem conversar sobre tudo: ansiedades, sonhos, medos. Ainda que de forma não muito convencional no início. Mesmo com as ressalvas da médica, a amizade se aprofunda — em meio a visitas ao Starbucks e pequenos desafios. Em pouco tempo, evolui para um romance que vai afetar toda a família. Por fim a normalidade parece apenas a um passo de distância. À procura de Audrey é um romance inspirador sobre família, primeiro amor e depressão.
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O que eu achei?
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Já fazem dois dias que terminei de ler "À Procura de Audrey", o primeiro romance Jovem Adulto de Sophie Kinsella, e ainda não sei se consigo externar de forma completamente coerente o quão apaixonado eu fiquei com este livro. Para falar a verdade, a história mexeu tanto comigo, de tantas formas diferentes, que até o presente momento eu ainda não consegui fazer a minha fila de leitura andar. Eu olho para o volume, ele olha para mim, e mais uma vez sou mergulhado por uma avalanche de sentimentos bons. Eu só sinto vontade de abraçar meu exemplar e correr atrás da autora no Reino Unido só para dizer o quanto ela foi feliz em escrever esta história e o quanto estou orgulhoso, e como ela subiu no meu conceito...
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Pois, tudo bem, confesso que meio que estava receoso com esta história. Eu já conheço as comédias românticas da autora, e sei o quanto ela é divertida, o quanto o ritmo da sua narrativa é fluído e gostoso e como ela tem o dom de construir protagonistas carismáticas e engraçadas. Mas a sinopse de "À Procura de Audrey" era tão... Séria. Pelo menos, séria demais para um livro de Sophie Kinsella - ainda mais a sua estreia no gênero YA. Então eu pensava: Será que este livro é um "sick lit"? O que tenho o prazer de dizer, neste exato momento, é que NÃO - ele não é! Qualquer medo infundado que eu tinha com relação ao tema caiu por terra logo nas primeiras páginas. Todo o estilo despretensioso e apaixonante que conheço tão bem estava ali, quando somos lançados já de cara a uma das cenas mais hilárias de todo o livro.

Com isto, sei o que deve estar pensando neste exato momento: Como uma história sobre uma protagonista que desenvolve depressão e fobia social após sofrer bullying violento pode ser engraçado? Mas é aí que está toda a mágica da questão. O livro é divertido, e ao mesmo tempo, extremamente delicado. É visível o quanto a Sophie Kinsella pesquisou sobre o assunto para abordar no seu livro de forma crível, e devo dizer, ela foi uns dos autores mais HONESTOS que vi ao retratar os episódios de depressão em suas páginas. Nada é maniqueísta, com um drama carregado feito na medida para chocar o leitor. E também nada é retratado de forma leviana. É tudo na medida certa, de forma REAL. Um exemplo maravilhoso disto é que, em nenhum momento, sabemos de fato o que aconteceu com Audrey em sua antiga escola, e nem como as suas Bullies a prejudicaram. Apenas a consequência. O que só mostra que, não importa o tamanho do problema... Ele é um problema, e a vítima SEMPRE carregará as consequências.
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Outro acerto de "À Procura de Audrey" são os seus personagens. Não apenas a protagonista-título é extremamente cativante, como todos a sua volta. Sério, não tem como não se apaixonar pela família da garota. Seja com os irmãos, ou o pai atrapalhado... A família É a alma do livro. Isto para não falar do destaque da mãe. Posso estar sendo completamente tendencioso, pois a mãe de Audrey basicamente foi um retrato mais do que fiel da minha própria mãe, mas a personagem é a que protagoniza as melhores cenas de humor da trama. E, apesar do romance não ser o foco da história, o personagem de Linus (o melhor amigo de Frank, o irmão mais velho) cumpre muito bem o seu papel. Ele não está lá como "uma formula mágica" no tratamento da menina; ele está para mostrar mais um passo que a própria está dando em sua luta contra a depressão.
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Enfim, se eu já fosse formado e trabalhasse como pedagogo, "À Procura de Audrey" sem sombra de dúvidas seria usado como livro para estudo. É uma história que não apenas diverte o leitor, mas que também sinaliza sobre a depressão e a fobia social - além de mostrar que, sim, precisamos PARAR de achar que Bullying não é um problema "tão grande assim". De forma sincera, leve e completamente despretensiosa, Sophie Kinsella nos presenteou simplesmente com um dos seus melhores trabalhos. Este pode ser o primeiro Jovem Adulto da autora, mas, não tenha dúvidas, sua mensagem e seu carisma vale para todas as idades.
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Sobre a autora:
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Sophie Kinsella (o famoso pseudônimo da escritora Madeleine Wickham) é uma escritora britânica. Nascida em Londres, 12 de dezembro de 1969, foi uma ex-jornalista de economia, com especialização na área financeira - o que a ajudou bastante, assim que começou uma carreira como escritora.
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Seu trabalho mais conhecido, a série ''Os Delírios de Consumo de Becky Bloom'', deu origem à uma adaptação hollywoodiana de sucesso.
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TÍTULO: À Procura de Audrey
TÍTULO ORIGINAL: Finding Audrey
PÁGINAS: 336
AUTOR(A): Sophie Kinsella
EDITORA: Galera
NOTA: 5 estrelas + Bookcrush

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