domingo, 5 de julho de 2015

Resenha: A Playlist de Hayden

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''Na Minha Estante'' Assegura: A resenha a seguir está completamente livre de Spoilers... Leia sem Moderação e divirta-se!
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Sinopse:
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Depois da morte de seu amigo, Sam parece um fantasma vagando pelos corredores da escola o que não é muito diferente de antes. Ele sabe que tem que aceitar o que Hayden fez, mas se culpa pelo que aconteceu e não consegue mudar o que sente
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Enquanto ouve música por música da lista deixada por Hayden, Sam tenta descobrir o que exatamente aconteceu naquela noite. E, quanto mais ele ouve e reflete sobre o passado, mais segredos descobre sobre seu amigo e sobre a vida que ele levava.
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A PLAYLIST DE HAYDEN é uma história inquietante sobre perda, raiva, superação e bullying. Acima de tudo, sobre encontrar esperança quando essa parte parece ser a mais difícil.
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O que eu achei?
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Expectativa versus Realidade. Eu realmente poderia classificar assim a minha experiência de leitura com "A Playlist de Hayden"... Mesmo assim, não consigo classificá-la deste jeito. Sei que a minha expectativa influenciou bastante o decorrer da minha leitura, mas acho que a grande questão entre a proposta do livro e o meu entendimento pode ser bem maior do que apenas uma experiência frustrante. Pois, vamos ser sinceros: O que esperar de um livro cujo o trema central é o suicídio?! Bom, por exemplos anteriores, o mínimo que eu esperava era uma abordagem séria com relação ao assunto. Se eu me emocionasse, seria ótimo (não vou negar). Mas o mínimo que eu queria era que a autora me contasse e convencesse da razão de escrever um livro com um tema tão problemático como este.
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Vejam bem, eu ainda demorei um certo tempo para pegar o romance. Na minha cabeça, era certeza que - mesmo que não ficasse inconsolável - a trama adentraria por questões pesadas, pertinentes ao tema. Eu sentia que precisava estar no clima para poder pegar um livro como este. Então, quando o momento de tirá-lo da estante chegou, fui preparado psico e emocionalmente para o que o livro poderia me proporcionar. Entretanto, logo nas primeiras páginas, percebi que todo o meu receio e toda a minha preparação havia sido em vão.
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O primeiro ponto que preciso destacar, e que me saltou aos olhos logo no primeiro capítulo, foi com relação a narrativa do volume. "Playlist" é narrado em primeira pessoa por Sam, o único melhor de Hayden, e a pessoa que descobre que ele se matou (e quem encontra a supracitada playlist do livro). Este fato fica implícito logo nas primeiras linhas da história... E foi já desde momento em que senti que faltava algo. A escrita era dinâmica, fluída, mas... Não trazia peso e nem nenhuma reflexão para os acontecimentos. No começo, achei que isto deveria ser algo inerente a introdução da trama - que, com o passar do tempo, as razões pelas quais o Hayden teria dado fim à sua vida seriam devidamente esmiuçados e entenderíamos todo o seu psicológico fragilizado. Mas esta foi uma espera que não teve fim. Do início ao desfecho, o peso do que aconteceu com o falecido rapaz é apenas como uma sombra de uma nuvem para a história, mas nada é aprofundado.
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E acho que este foi o meu principal problema com relação à "Playlist de Hayden": NADA é aprofundado. Várias questões importantes são arrastadas junto com o suicídio, como o Bullying, a depressão, a divisão social, déficit de atenção e dislexia, relações familiares problemáticas e homossexualidade. Mas, tudo passa de uma forma tão pincelada, tão displicente, que se todos estes assuntos não fossem tocados no decorrer dos capítulos, nenhuma diferença seria feita. O que me leva logo a dizer: A "Playlist" tão alardada, presenta até no título, não nos leva à lugar algum. Isto pode ser considerado um spoiler por algumas pessoas, mas é a verdade. Desde a sinopse eu realmente acreditei que a playlist seria importante para o desenvolvimento da história, mas a única razão pela qual ela parece existir é para nomear os capítulos, demonstrar o gosto musical "indie" da autora e seu personagem, e repetir subliminarmente a toda hora que "as músicas mainstream são um lixo, pobre das suas almas que escutam pop despretensioso - no mínimo, não possuem cérebro pensante".
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Nem preciso dizer o quão frustrado eu fiquei com a forma que a autora conduziu a sua história, não é mesmo? Michelle Falkoff tinha um tema perfeito nas mãos, mas preferiu se focar em um romance adolescente (com toques de mistério) entre Sam e a "enigmática" Astrid, que simplesmente não conta para o quê veio, com dois personagens que não me inspiraram simpatia alguma. Não só eles, mas eu não consegui sentir absolutamente NADA por quase nenhum personagem. Sendo bem sincero, o único personagem que me cativou de alguma forma foi (veja só que ironia) o Hayden. E ele MORRE na primeira linha da história!
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Posso parecer ranzinza, mas é o que eu sinto. "A Playlist de Hayden" tinha tantas formas para se fazer impactante, para realmente fazer o seu leitor refletir sobre todos os assuntos que surgem no decorrer das páginas, mas... Ele não faz nada. É apenas mais um jovem adulto água com açúcar com um certo toque de mistério. Me entendam, eu não vejo problema algum em histórias leves, o típico garoto encontra garota. Mas este NÃO era o livro para isto. Este NÃO era um tema para ser tratado de forma tão leviana. Era um livro para fazer a diferença para o seu leitor! Mas, digo com tristeza no coração, não o fez. Pelo menos, não para mim.
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Enfim, sim, sei que minhas palavras são amargas... Talvez, o problema esteja justamente comigo. Afinal, é só olhar a nota do livro no Goodreads e no Skoob, e logo vemos que muitas pessoas foram conquistadas e arrebatas pela história de como Sam perdeu o seu melhor amigo e tentou recomeçar a viver. Mas, infelizmente, para mim não funcionou nem como "sick lit" e nem como "romance jovem adulto". Se você quer realmente ler "A Playlist de Hayden", experimente. Veja por você mesmo e faça o seu julgamento. Entretanto, volto a repetir: Michelle Falkoff, para a minha pessoa, falhou miseravelmente ao tentar expressar a sua mensagem. Mesmo que ela quisesse contar apenas uma história leve, com um assunto tão grave como o Suicídio, ela deveria ter pensado duas vezes antes de seguir esta linha. E com um tema tão pesado - e importante - como este, é realmente uma pena que o romance não cumpra o seu papel.
 
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Sobre a autora:
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MICHELLE FALKOFF é graduada pela Iowa Writers’ Workshop e hoje é a Diretora de Comunicação e Lógica Jurídica da Northwestern University School of Law. A Playlist De Hayden é o seu primeiro livro.
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TÍTULO: A Playlist de Hayden
TÍTULO ORIGINAL: Playlist for the Dead
AUTOR: Michelle Falkoff
EDITORA: Novo Conceito
PÁGINAS: 288
NOTA: 2 Estrelas 

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