quinta-feira, 12 de março de 2015

Resenha: As Confissões das Irmãs Sullivan

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''Na Minha Estante'' Assegura: A resenha a seguir está completamente livre de Spoilers... Leia sem Moderação e divirta-se!
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Sinopse:
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Quando o futuro de toda uma família está em jogo, não há segredo que deva ser considerado grande ou pequeno demais para ser revelado.
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No dia de Natal, a avó das irmãs Sullivan reúne a família para anunciar que em breve morrerá. E, possivelmente pior, que removeu toda a família de seu testamento. Como ela é a fonte de quase toda a renda familiar, isso significa que ficarão sem um tostão. Ela foi ofendida por alguém da família, mas diz que, se o ofensor se revelar com uma confissão do seu crime enviada para seu advogado, até o dia de Ano Novo, ela pode recolocar a família no testamento. Mesmo não revelando quem poderia ter sido a "grande decepção", todas as suspeitas caem sobre Norrie, Jane e Sassie.
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Agora, nenhum segredo é grande ou demais para as irmãs Sullivan. E que comecem as confissões...
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O que eu achei?
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Ah, a expectativa... Este monstro invisível e indesejável, que - querendo ou não - atormenta 9 entre 10 leitores. Eu tenho uma luta constante e infinita contra ela; muitas vezes eu ganho. Outras vezes, eu perco. No caso de "As Confissões das Irmãs Sullivan", eu tenho a ligeira impressão que perdi. E feio. Mas era meio inevitável. Afinal, depois que você lê "Como Dizer Adeus em Robô", não tinha como esperar algo abaixo de "incrível" para um livro da Natalie Standiford. Pois sim, ela elevou MUITO o nível com aquela história. E "incrível" é apenas um dos adjetivos que uso para descrever o outro romance, que não foi apenas um dos meus Boocrushes de 2013, como também foi uma leitura marcante - tanto por sua história, quanto por seus personagens excêntricos e carismáticos. Então, é claro, eu estava esperando grandes coisas do lançamento de fevereiro da Galera Record. E, justamente por esperar muito, ao terminar o livro, senti que ele - apesar de ser indiscutivelmente diferente - não foi exatamente o que eu esperava.
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Com isto, eu quero dizer que achei "As Confissões das Irmãs Sullivan" ruim? Não mesmo. Para falar a verdade, é um livro bastante divertido, com uma escrita esperta e um humor ácido. Assim como seu sucessor (já que, sim, para minha total surpresa, "Irmãs Sullivan" foi publicado antes de "Robô"), a escrita da autora é fluída e gostosa, nos apresentando todos os membros desta família excêntrica da alta sociedade de Baltimore através do ponto de vista de três protagonistas diferentes: Norrie (a mais velha, e exemplo), Jane (a rebelde com personalidade forte) e Sassy (a doce e ingênua). Uma característica que me empolgou com relação à "Confissões" é que, apesar dele ser - tecnicamente - um livro único, Natalie Standiford utiliza da premissa dos depoimentos que as meninas precisam dar para a "Poderosa" avó (e mantenedora da família) para assim criar três histórias bem distintas, com focos muito bem delimitados, e que mesmo sendo intrinsecamente diferentes entre si, elas ainda assim conseguem se entrelaçar para formar um contexto maior. 
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Logo pela introdução do romance, o leitor percebe que as meninas cometeram alguma ofensa grave contra a matriarca dos Sullivan, então as meninas irão contar por escrito - cada uma, a sua maneira - a razão que levou elas a determinado ato de rebeldia: Norrie, se apaixonando por um rapaz mais velho e de fora da Alta Sociedade de Baltimore; Jane, expondo os podres da família através de um blog nem um pouco ortodóxico; e Sassy... bem, ela acredita fixamente que se tornou "imatável".
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Logo devo dizer que, das três confissões, a minha favorita - sem sombra de dúvidas, foi "A Noite Mais Longa do Ano" de Norrie. Ela é a história mais redonda e linear das três - com começo, meio e fim. Apesar do final emocionante, "Conto de Inverno" (de Sassy) sofreu do mesmo mal que "Minha Família Malvada" (de Jane): Elas dependiam estritamente da conclusão apresentada no epílogo. Enquanto a narrativa da irmã mais velha foi bem conduzida e teve todos os seus momentos importantes bem narrados, as outras duas passavam por situações que claramente eram importantes para o próprio "depoimento" de forma bem superficial - o que, para mim, foi um pecado (principalmente com relação ao desfecho de "Conto de Inverno"). Esta ligeira falta de cuidado demonstrado pela autora meio que deixou um sabor amargo a minha leitura, pois eu sentia que ela poderia ter ousado mais e contornado melhor as nuances dos dilemas das garotas mais novas, e acabou escolhendo um caminho mais rápido - e, infelizmente, não muito interessante em um plano individual.
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Apesar deste lapso, como disse anteriormente, todas as três narrativas cumprem a sua função de se conectarem entre si e montar o paralelo maior da relação das garotas Sullivan com a elitista avó. Porém, mesmo tendo personagens excêntricos, divertidos momentos nonsenses e um humor sarcástico, a impressão que fica é que esta é uma história menos sútil e muito mais pretensiosa do que "Como Dizer Adeus em Robô". A típica ideia boa, que acabou falhando na execução. Talvez, se tivesse lido "Irmãs Sullivan" antes de conhecer a história da "Garota Fantasma", esta sensação de "poderia ser melhor" não existisse. Mas, neste caso, a própria autora abre a deixa de que - apesar de bom - o livro poderia ter sido tão incrível quanto o outro. E, para Natalie Standiford, apenas "bom" não parece ser o bastante, ou satisfatório. 
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Sobre a autora:
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Natalie Standiford lamenta, mas não fala robô fluentemente. Nascida e criada em Maryland, graduou-se em literatura Russa e estudou em St. Petersburgo para se aperfeiçoar. Atualmente mora em Nova York, onde divide o tempo entre os seus livros e a banda de rock Tiger Beat, formada apenas por escritores de livros juvenis, entre eles Libba Bray.
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TÍTULO: As Confissões das Irmãs Sullivan
TÍTULO ORIGINAL: Confessions of the Sullivan Sisters
PÁGINAS: 352
AUTOR(A): Natalie Standiford
EDITORA: Galera
NOTA: 3,5 Estrelas

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