sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Resenha: The Summer Prince

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''Na Minha Estante'' Assegura: A resenha a seguir está completamente livre de Spoilers... Leia sem Moderação e divirta-se!
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Sinopse:
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A cidade exuberante de Palmares Três brilha com tecnologia e tradição, com rodinhas de fofocas escandalosas e políticos experientes. No meio desta metrópole vibrante, June Costa cria a arte que é certo para fazê-la lendária. Mas seus sonhos de fama se tornam algo mais quando ela conhece Enki, o ousado novo Rei do Verão. A cidade inteira se apaixona por ele (incluindo seu melhor amigo, Gil). Mas June vê mais de Enki do que os olhos cor de âmbar e um Samba letal. Ela vê um colega artista.
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Juntos, June e Enki serão explosivos, em um projeto dramático que Palmares Três nunca vai esquecer. E eles também irão adicionar combustível para uma revolta crescente contra limites estritos do governo sobre a nova tecnologia. Mas nada será tão fácil assim... June cairá profundamente de amor por Enki. Mas existe um problema: como todos os Reis do Verão antes dele, Enki está destinado a morrer.
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Pulsando com a batida de um Brasil futurista, queimando com as paixões de seus personagens, e transbordando de idéias, este romance ardente vai deixar você ansioso por mais de Alaya Amanhecer Johnson.
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O que eu achei?
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Eu não costumo comentar sobre livros que eu não finalizo, mas, neste caso, eu tive que fazer uma exceção... Como brasileiro, assim que eu vi a sinopse, senti arrepios de pensar que uma autora norte americana - para criar uma distopia que se passa no Brasil - iria usar todos os clichês imagináveis de nossa cultura e abusar da máxima de que tudo é ''exótico'' no nosso país para a sua história ser diferente das demais distopias Jovem Adultas. Mas, quem me dera o problema estar só na sinopse. Para falar a verdade, está no livro inteiro (ou nos 50% que eu li).
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Logo nas primeiras páginas, eu percebi aonde a autora iria levar a história: Samba, Carnaval, uma cultura completamente construída ao redor da glorificação do corpo e do sexo. Uma caricatura completa, vendida em cartões postais da praia e em filmes como ''Lambada: A Dança Proibida''. Além dessas máximas, temos um completo detrimento do sincretismo religioso presente por aqui (e vejam bem: não sou nenhum especialista em cultos afro brasileiros, nem mesmo um praticante, mas tenho certeza de que não há sacrifícios humanos em suas cerimônias).
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Em uma breve defesa do livro, digo que, pelo menos, a autora teve a coerência de criar  personagens de diferenças raças para sua trama - demonstrando, mesmo que em uma escala minúscula a diversidade que temos por aqui. Mas, se houvesse um grande Whitewashing em ''The Summer Prince'', depois de tudo o que eu vi, eu realmente não me surpreenderia.
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Eu cheguei à 50% do livro a um grande custo, e não aguentava mais... Eu ia me irritando com todos os detalhes deturpados da história, vendo as nuances e não a trama em si. O problema é que tudo era tão absurdo que eu não conseguia pensar em mais nada. No posfácio, a autora diz que é uma amante da cultura brasileira e etc. - mas parece que ela encontrou o país através do Google, e utilizando como base o imaginário consciente (que não representa 8% da diversidade presente em nosso país). Ela diz para culpá-la por qualquer erro, então eu a culpo  por toda a visão distorcida e ofensiva que este livro trás. Por muito tempo eu pensei: Será que a história se passasse no Japão, ele faria um país dominado por um exército de super-robôs e governado por personagens de mangá? Depois de ''The Summer Prince'', eu não duvido.
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E mesmo deixando de lado o campo de ''ofensa contra o meu país'', a história em si é ... pobre. A protagonista só sabe cair na balada e ir para concursos ridículos (Vejam só, existe concursos de bunda no livro). O Rei do Verão só sabe fazer sexo com qualquer coisa que se mova. Eu não sabia qual era o ponto inicial da trama, e muito menos para onde ela iria. Não havia nenhuma sensação de perigo - ou menor esforço para cativar o leitor.
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Chegando na metade, eu só conseguia pensar: Para mim já chega. O mundo foi mal construída, não se sustentava - e eu já disse o quão desrespeitoso ele é para qualquer brasileiro? Eu não consigo dizer mais nada sobre este livro sem ficar muito zangado. Se eu pudesse encontrar a autora, a única coisa que gostaria de dizer para ela seria: '' Não, garota... Você não pode escrever um livro como este, não sabendo nada sobre a sociedade brasileira, e esperar que um brasileiro leve isto a sério ''. Eu soube de alguns boatos de que a editora Saída de Emergência estava pensando em trazer o livro para o país, mas torço para que seja apenas isto: um boato. Pois, sinceramente, com tanta coisa boa por aí, acho uma ofensa logo um livro que faz de tudo para passar a imagem mais errada possível do Brasil ganhar tradução e eles não. 
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Sobra a autora:
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Alaya Johnson se formou na Universidade de Columbia, no ano de 2004 - com um bacharelado em Línguas do Leste  e Culturas asiáticas. Atualmente, ela mora em Nova York e ''The Summer Prince'' foi o seu primeiro romance destinado para o público Jovem Adulto.
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TÍTULO: The Summer Prince
AUTOR(A):  Alaya Dawn Johnson
EDITORA: Arthur A. Levine
PÁGINAS: 289
NOTA: 1 Estrela

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