domingo, 30 de novembro de 2014

Resenha: A Namorada do Meu Amigo

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''Na Minha Estante'' Assegura: A resenha a seguir está completamente livre de Spoilers... Leia sem Moderação e divirta-se!
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Sinopse:
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Quando voltou das férias de verão, Cadu não imaginava a confusão em que a sua vida se transformaria. Era para ser um ano normal, mas ele entrou em uma enrascada e está correndo o risco de perder a amizade do cara mais legal do mundo. O que fazer quando a namorada do seu amigo vira uma obsessão para você? 
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Os churrascos da turma da faculdade talvez ajudem a esquecer Juliana, e, se depender do esforço do divertido Caveira, não faltarão garotas gente boa para preencher o coração de Cadu. Mas não adianta forçar... Quem consegue mandar no coração? Alice, a irmã de Beto, é só mais uma das dores de cabeça que Cadu tem que enfrentar. A vida inventa cada cilada!
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O que eu achei?
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Falar sobre ''A Namorada do Meu Amigo'' vai ser uma tarefa difícil. Pelo menos, para mim. Pois, se teve um livro que eu lutei para abaixar as minhas expectativas, este com certeza ganharia em primeiro lugar. Vejam bem, ''Até Eu Te Encontrar'' - o primeiro livro da autora que eu li, e que também é um Novo Adulto contemporâneo - foi um dos meus Bookcrushes do ano passado... Não só isto, acho que ele é um dos livros mais legais e incríveis da minha estante - e se eu tiver a oportunidade de indicar ele para alguém, com certeza eu vou fazer. Logo, a pressão sobre ''Namorada'' era grande e muito injusta, eu confesso. O peso para ele conseguir sair da sombra de seu antecessor era assustador, por isso preferi esperar tanto para ler - mesmo recebendo o exemplar da editora logo que o livro foi lançado, em agosto.
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Entretanto, mesmo levando todo este tempo para ler o livro... Eu esperava que o livro fosse incrível. Eu esperava de verdade que fosse gostar da história, das situações, e - principalmente - dos personagens. Pois esta, sem sombra de dúvidas, foi uma característica que marcou muito a minha leitura de ''Até Eu Te Encontrar'': eu me encantei por cada um. Me divertia com eles, torcia por eles e queria ser amigo deles. Então, mesmo que colocasse na minha cabeça que a história poderia não ser tão marcante quanto a do seu antecessor (pois, pela sinopse, podemos perceber um clima muito mais leve), eu queria de verdade que a turma de Rio das Pitangas me conquistasse tanto quanto Flávia, Luigi e todos os outros.
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Infelizmente, não foi o que aconteceu.
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Pois bem, a narrativa da Graciela Mayrink continua muito gostosa. Isto eu não posso negar, de forma alguma. Mesmo tendo como protagonista um rapaz de vinte anos, a autora soube dar a voz certa para ele... Não deixando caricato ou forçado demais. Sem falar que, mesmo tendo problemas com a história e com os envolvidos nela (como irei contar mais um pouco, à frente), a leitura não foi nem um pouco travada - muito pelo contrário. Os capítulos eram na medida certa, as cenas eram ágeis e ela conseguiu me levar até o fim e querer saber aonde tudo iria parar. A questão é: Mesmo conseguindo manter o seu estilo fluído, o livro me deixou uma impressão amarga e nem um pouco compatível com o seu antecessor.
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Talvez, o meu maior problema mesmo tenha sido justamente os personagens. Eu não me conectei com eles, não consegui comprar as suas motivações e não torci por eles. Isto é um problema, principalmente em um livro narrado em primeira pessoa, como é o caso de ''A Namorada do Meu Melhor Amigo''. Como eu disse no começo, eu esperava me apaixonar por eles, assim como aconteceu com o grupo de ''Até eu te Encontrar'', mas eu só consegui condenar e julgar todas as ações dos ''Três Mosqueteiros'' - a forma como os 3 amigos são conhecidos na cidade onde se passa o livro.  Afinal, a trama central gira justamente em torno do protagonista "apaixonado" pela namorada do melhor amigo, e se envolvendo em situações para lá de condenáveis, e tentando justificar tudo isto para o leitor... O que me leva a dizer: sim, coloquei o apaixonado entre aspas, pois não acreditei nem por um momento que ele estava apaixonado DE VERDADE pela garota. E sim, que estava atraído por ela. O que é bem diferente.
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Além disto, apesar de todo o tempo o protagonista Cadu se auto firmar como um rapaz tímido, quieto e etc, eu não acreditei nisto nem por um minuto. Até por que, eu sou um rapaz tímido, que tem problemas de falar sobre os meus sentimentos com as pessoas mas... Não me identifiquei nem por um momento com ele. O cara vive na balada com os amigos, não perde uma festa, acordando tarde quase todas as vezes, tem um monte de garotas correndo atrás dele - olha, acho que isto está BEM longe de características de um personagem tímido. Eu ficava pensando ''devo ter algum problema, pois se ELE é tímido, eu devo ser um caso grave de Wallflower''. E não é para tanto. Na outra ponta, temos o Beto - o amigo que está tendo ''o olho furado''. Em tese, era para eu ''torcer'' por ele, e entender o seu lado também (pois sou um defensor inveterado dos ''enganados''), mas eu não consegui. Por quê? Bom, pelo simples fato do Beto ser um BABACA. Adora bancar uma de puritano, mas tinha um passado mais sujo que pau de galinheiro. Com ele, sempre eram dois pesos e duas medidas: condenava os outros, principalmente os amigos, por mostrarem interesse nas suas irmãs mais novas, mas para os seus ''interesses''com uma menina mais nova, era uma outra história. Odeio este tipo de pessoa, que impõe regras mas que esquivas delas. E minha simpatia pelo Beto era zero.
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Para completar, ao chegar ao final do livro, eu não senti que a história teve uma conclusão... E este não é o tipo de livro que pede um final com pontas soltas, deixando que a imaginação do leitor completasse as lacunas. Muito pelo contrário. É o tipo de livro que exigia pingos nos is, preto no branco, e etc - ainda mais se levarmos em conta os dilemas envolvidos. Mas, como podem perceber, a autora dá um final não-tradicional para a trama - mas a sensação de desfecho não existe. É como se ficasse faltando uma parte da história. Como se a história estivesse incompleta, e que nós nunca fossemos saber o caminho de cada um. O que eu repito: Não era um recurso que um livro como ''A Namorada do Meu Amigo'' exigia.
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Enfim, mesmo abaixando as minhas expectativas o máximo que podia, deixando ele para ler bem depois do seu lançamento, e me forçando a aceitar que a sinopse deste novo livro da Graciela Mayrink não indicava que ela seguiria a mesma linha de seu romance de estréia, eu terminei ''Namorada'' com a sensação de frustração me corroendo por dentro. Uma sensação tão poderosa e tão forte, que quase fui capaz de chorar - tamanha era a minha vontade de querer que o livro me ''ganhasse''. É maldade pensar desta forma, mas não tenho como não dizer que este fica à sombra da grandiosidade e de todo o carisma apresentado em ''Até Eu Te Encontrar''. Só que não posso me enganar, e nem enganar quem está lendo este ''desabafo''. É algo triste de se constatar, mas é a mais pura verdade. Com certeza eu queria ter vindo aqui e dizer que este novo volume é tão genial e apaixonante como o seu antecessor... Só que ele não é. Talvez, se você ler ele antes de ''Te Econtrar'', ele possa te conquistar cem por cento. Mas, do contrário, não vejo como. E falo isto com um pesar verdadeiro no meu coração. Só me resta esperar que, em sua próxima história, a autora volte a encontrar a mágica que estava presente em cada linha da trama da Flávia e do Luigi, e que infelizmente faltou nas desventuras de Cadu. Uma pena.
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Sobre a Autora:
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Graciela Mayrink Roldão nasceu no Rio de Janeiro e é idealizadora do Projeto Jovem Curte Ler. Formada em agronomia com mestrado em fitopatologia, trabalhou durante oito anos à frente do site de automobilismo SuperLicença e da assessoria do projeto social "Ideia Fixa Para Um Sertão Sem Fome". Participou do livro de contos organizado pelo Skoob "Não É Só Por Vinte Contos". Até Eu Te Encontrar é seu romance de estreia.
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TÍTULO: A Namorada do Meu Amigo
AUTOR(A):  Graciela Mayrink
EDITORA: Novo Conceito
PÁGINAS: 336
NOTA: 2 Estrelas

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