quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Resenha: Feitiço

.
''Na Minha Estante'' Assegura: A resenha a seguir está completamente livre de Spoilers... Leia sem Moderação e divirta-se!
.
Sinopse:
.
Três amigas inseparáveis que, apesar de não possuírem laços sanguíneos e de terem aparência bem diferente, são como irmãs. Frequentam o último ano no mesmo colégio, têm uma banda de rock e nomes perfeitos para virar apelidos: Amanda (Mands), Pamela (Pam) e Analice (Ana). Longe de serem as garotas mais populares da escola, são conhecidas como “bruxinhas”. Não pela aparência, mas pelo seu visual dark. O uniforme do tradicional e luxuoso colégio Hall é bastante tradicional, composto de saia quadriculada, camisa branca e terno preto, mas cada aluno marca seu estilo da forma que achar melhor. As bruxinhas capricham na maquiagem e nos acessórios: sombra e lápis pretos, colares de crucifixo, batom sempre bem escuro. 
.
O trio decide fazer um feitiço para tentar trazer de volta à vida o famoso bruxo do século XVII Nicolas Byron. Querem aprender mais sobre as artes das bruxarias. As meninas acham que não deu certo e desencanam, mas no dia seguinte aparece um novato no colégio. O garoto chama a atenção: olhos azuis, alto, cabelo castanho-claro penteado para trás de um jeito meio formal. Rosto bonito, lábios bem contornados, sorriso de tirar o fôlego. Dá para ver, apesar do terno preto, seu belo porte físico. Faz a alegria das alunas nas aulas de educação física, especialmente a de natação. Seu nome é... Nicolas Byron. 
.
Agora as bruxinhas ficam com essa dúvida na cabeça: será que este é o famoso bruxo que invocaram ou é apenas uma terrível coincidência de nomes? Para descobrir a verdade, as amigas passam por muitas confusões, situações engraçadas e uma delas se envolve em um romance daqueles, fadado a uma triste maldição. Diversas surpresas as esperam. Será que a maldição será quebrada?

.
O que eu achei?
.
Quando me perguntam se é mais fácil fazer uma resenha negativa ou positiva, eu sempre falo a mesma coisa: A negativa, afinal nós sempre conseguimos ver melhor os erros do que as qualidades. Querendo ou não, isto é algo que está intrínseco à nós (sem falar que sempre que eu vou falar de um livro que eu gosto muito, eu meio que começo à surtar e não digo nada com nada). Mas a questão aqui é, por mais que seja ''mais fácil'' apontar os erros de um livro, isto não significa que eu goste disso. Muito pelo contrário, já que, quando eu pego um volume da minha estante, ou escolho algum arquivo no meu tablet, eu espero gostar de verdade dele. Não acabar odiando, e achando ele um lixo. 
.
Dito isto, acho que agora vocês podem ter um pouquinho de noção sobre como eu me senti com o livro que estou resenhando aqui hoje. Pois, como eu relatei no começo da semana na página do blog no Facebook, sinto como se tivesse me deparado com o primeiro (e genuíno) merecedor do título de ''O Pior Livro que Eu Já Li Em Toda a Minha Vida''. E esta é uma classificação que eu não desejaria dar em nenhum momento, para nenhuma história.  
.
Só que, neste caso, eu precisei dar. Fui praticamente forçado à fazer isto. E o ''felizardo'' (só que não) por alcançar esta proeza épica foi ''Feitiço'', livro de romance sobrenatural jovem adulto nacional escrito pela estreante Liza Jones.
.

Tendo uma ideia geral, antes de começar a ler o livro, eu estava super empolgado... Eu havia me interessado nele desde que a Novo Conceito anunciou a sua publicação, após um concurso realizado pela editora durante a Bienal do Rio deste ano. Como eu tinha acabado de sair de duas leituras bastante frustrantes (em breve, saberão quais foram), acreditava de verdade que nada poderia ser pior do que aquilo - e que, de uma forma milagrosa, ele acabaria sendo o meu ''antídoto'' contra a carência literária que os outros tinham me deixado. Mas não foi isto o que encontrei. Não mesmo.
.
Para falar a verdade, acabou que ''Feitiço'' conseguia ser mais fraco do que tudo que eu já tinha lido até então - e nisto incluo histórias auto-publicadas, fanfics e afins. E a questão nem era uma expectativa irreal e inalcançável, já que eu estava preparado para uma leitura leve e despretensiosa. Sendo sincero, eu ansiava por algo assim. Mas eu não estava preparado para uma obra que conseguisse alcançar níveis tão altos e humanamente impossíveis de decepção.
.
E o grande problema, e que acabou ocasionando uma gigantesca reação em cadeia de catástrofes, foi a escrita da autora. Se eu pudesse classificar o texto de Liza Jones em uma única palavra, esta seria ''infantil''. Não no sentido dele ser voltado para um público mais jovem, e sim por ele ser imaturo. Muito imaturo. De formas vergonhosas. Em todo o tempo, do início ao fim, eu sentia como se estivesse lendo um trabalho escolar feito por uma garota de 11 anos, sobre adolescentes jovens e ricos de 17 anos, as vésperas do prazo final. 
.
Com capítulos ridiculamente mínimos (com 3 páginas... No máximo!), não havia tempo para aprofundar - e aproveitar - nenhuma cena, que dirá os personagens (cuja protagonista falta o mínimo aceitável de carisma) e suas histórias. Tudo foi escrito de forma apressada demais e aleatória, como um amontoado de ideias jogadas no papel e que no final, veja só, virou um livro. Eu senti que a autora não sabia e muito menos planejou em nenhum momento para onde a história queria seguir, acabou apostando em vários elementos diferentes e... Deu no que deu - com conflitos e ganchos importantes (que poderiam serem melhores aproveitados) sendo resolvidos de um parágrafo para outro, na velocidade da luz.
.
E se não havia tempo para o desenvolvimento da trama e dos personagens, nem preciso dizer que também não houve tempo para desenvolver as características sobrenaturais dos mesmos, não é?! Mesmo sendo uma fantasia, achava que a história precisava de um pequeno toque de ''verossímil'' para dar base à todos os acontecimentos. Algo que fundamentasse a magia e a tornasse crível para o leitor no contexto do seu universo. Mas a autora não se preocupou com isto, apenas ligando o botão do ''aceite como está escrito'', e jogando a sua ''mitologia'' subdesenvolvida (e subnutrida) na cara do leitor.
.
Outra coisa que me incomodou, mas nem vou me aprofundar muito, pois acho que isto seria encarado como uma questão de gosto, é esta necessidade que alguns autores nacionais sentem de que - para o seu livro ser aceito - ele precise ser ''americanizado''. Não, eu não ache que precise. E, para ser bem sincero, os estrangeirismos de ''Feitiço'' - como pelo nome dos personagens, e até mesmo o nome da cidade onde se passa a história - me irritaram bastante, pois eu não via nada que justificasse estas escolhas no texto. A história poderia muito bem se passar no interior do Rio Grande do Sul. Ou do Piauí... Não mudaria nada. 
.
Enfim, mesmo sendo um livro relativamente pequeno, eu levei mais de 3 dias para ler ele. E acho que isto diz bastante coisa. Eu não tinha vontade de continuar a história, tamanho o meu desgaste com relação à tudo presente nela. Coloco a culpa na inexperiência da autora? Não mesmo... Se eu tivesse que escolher um ''culpado'', este seria a editora, pois é gritante durante toda a obra a falta de suporte e acabamento dado ao material, até mesmo com falhas bobas de revisão, como palavras repetidas à esmo e falta de pontuação. ''Feitiço'' simplesmente é aquele tipo de livro que não deveria ser publicado, não da forma como está, e acredito que isto é algo que não só qualquer editor - mas também qualquer leitor - veria na primeira lida, e não consigo acreditar que ele foi o ''melhor'' texto recebido pela Novo Conceito durante o concurso.
.
Também não acredito que alguém possa, de verdade, considerar ''Feitiço'' como um bom livro. Nem mediano, pois seria um verdadeiro insulto para todos os outros da mesma categoria. Ele é quase como um rascunho, inacabado e carente de presença e personalidade. E, se ainda resta alguma dúvida, não recomendaria ele para ninguém, nem mesmo para o meu pior inimigo. Por isso, fica aqui uma dica de amigo... Se surgir a oportunidade de ler ele, durante algum dia, apenas fuja. Futuramente, seus neurônios irão agradecer por isto!
.
.
Sobre a autora:
.
Liza Jones não sabe viver sem ter um livro nas mãos. Começou escrevendo poesias. Sua primeira e única bicicleta, aliás, foi o prêmio do concurso de poesias de uma rede de supermercados. Fã de romances, é a dona do blog Eternamente Princesa! Mora com sua mãe, o amado gato siamês Chokito e, claro, seus inseparáveis amigos de todas as horas... os livros.
.
NOME: Feitiço
AUTORA: Liza Jones
EDITORA: Novo Conceito
PÁGINAS: 158
NOTA: 1 Estrela

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...