terça-feira, 1 de outubro de 2013

Resenha: A Ilha dos Dissidentes

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''Na Minha Estante'' Assegura: A resenha a seguir está completamente livre de Spoilers... Leia sem Moderação e divirta-se!
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Sinopse:
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SER LEVADA PARA uma cidade especial não estava nos planos de Sybil. Tudo o que ela mais queria era sair de Kali, zona paupérrima da guerra entre a União e o Império do Sol, e não precisar entrar para o exército. Mas ela nunca imaginou que pudesse ser um dos anômalos, um grupo especial de pessoas com mutações genéticas que os fazia ter habilidades sobre-humanas inacreditáveis. 
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Como única sobrevivente de um naufrágio, ela agora irá se juntar a uma família adotiva na maior cidade de mutantes do continente e precisará se adaptar a uma nova realidade. E logo aprenderá que ser diferente pode ser ainda mais difícil que viver em um mundo em guerra.
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O que eu achei?
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Se eu disser que não estava com uma alta expectativa para ''A Ilha dos Dissidentes'', estaria sendo um grande e terrível mentiroso. Sim, eu estava. E ela estava lá em cima. Para começar, o  livro é uma distopia. 100% verde amarela e a primeira do gênero que me interessou (pelo fato de ser nacional, quero dizer. Eu e distopias já possuímos uma longa história juntos). Mas, é claro, o que mais me chamou a atenção foi o nome por detrás da história. Melhor dizendo, a autora.
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Eu conheço a forma de escrever da Bell - quero dizer, Bárbara Moraes - já fazem alguns carnavais. Ela é uma das mentes criadoras do blog literário (e completamente insano) ''Nem Um Pouco Épico''... Que, ao contrário do que o nome possa sugerir, é bastante épico. Muito. E ele simplesmente figura entre os meus tops blogs de todos os tempos, tudo por culpa de seus textos e resenhas supercafeínados - repletos de ironia, sagacidade, humor (nerd, em sua maioria, e algumas vezes negro) e uma tonelada de gifs incríveis. Então, não, o fato da narrativa ser super fluída e de eu ter devorado todas as 300 páginas do livro em um tempo recorde não foi nenhuma surpresa. Mas, contrariando tudo o que eu esperava, nem tudo foram flores pelo caminho.
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Para ser bem sincero, eu estranhei o começo da trama. Como eu disse lá em cima, o meu nível de expectativa para com o livro estava em níveis estratosféricos. Quase humanamente impossíveis. E, apesar do texto dinâmico ter me cativado logo nas primeiras páginas (nota pessoal: Leiam os agradecimentos! Um dos melhores já escritos), a história não estava me convencendo muito. O que, querendo ou não, é o principal. 
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Vejam bem, a autora explica muito bem o seu universo. Nós percebemos que todo o mundo onde se passa a trilogia Anômalos foi muito bem pensado e construído - seja em seus aspectos sociais, geográficos, ou políticos. E a Bárbara faz com que o leitor consiga visualizar tudo e, o melhor, entendendo claramente. Mas eu não comprava a ideia. Aos meus olhos, tudo parecia superficial demais.
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Durante toda a primeira metade do livro, nós somos levados à conhecer o dia-a-dia de Sybil, a refugiada que descobre não ser tão normal quanto imaginava da pior maneira possível. Ela é inserida em um contexto completamente diferente do qual estava acostumada à viver, e nós observamos a garota ser integrada à uma nova família e fazer novos amigos. Por isto, eu realmente entendi todo o tempo que a autora levou para construir esta base para a personagem. Mas eu senti falta de algo que julguei ser essencial durante esta passagem de A ilha dos Dissidentes: o passado da protagonista.
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Em alguns momentos, o leitor consegue ter alguns vislumbres da antiga vida da personagem. Mas sempre de uma forma um tanto quanto superficial - ainda mais considerando todos os horrores que a menina passou. Ao ler uma distopia, eu espero ter uma gama de reações: Medo, frustração, revolta... E foram estes sentimentos que fizeram falta nestes relatos. Não parecia que Sybil realmente passou metade de sua vida em uma Zona de Guerra. Ela falava que sim, recordava, mas eu não acreditava 100%. A forma como a garota abraça a sua nova vida e se esquecia da passada me causou muito estranhamento. Simplesmente, não me parecia o certo. E, sim, isto me frustrou.
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Esta sensação de frustração me acompanhou durante toda a leitura do primeiro tomo. Mesmo estando apaixonado pela escrita, eu esperava mais da história. Mas eis que o inesperado (pelo menos, para mim) acontece: A história chega em sua metade (na página 150... Assustadoramente cravado!) e dá um giro de 360º.
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O que eu quero dizer com isto? Bom, à partir do segundo tomo, finalmente ''A Ilha dos Dissidentes'' me ganhou. De verdade. Nesta ponto da história, Sybil é forçada à deixar de ser uma menina deslumbrada com a sua nova vida - e isto fez toda a diferença, pelo menos para mim, pois enfim podemos enxergar um pouco do que ela já foi. Foi como se, neste tempo todo, estivéssemos sendo levados por uma Casa de Diversões um tanto quanto monótona... Só para chegar na esquina do corredor, e descobrir que tudo na verdade não passava de um prelúdio para um terrível Trem Fantasma.
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À partir da metade do livro, toda a tensão, toda a urgência que tanto fazia falta para a história começa à transbordar das páginas. Não só a protagonista ganha contornos mais reais, como seus amigos também. Capítulo pós capítulo, o volume entra em uma ascendente incrível e eu não conseguia mais largar. À cada nova reviravolta que a história tomava, ou à cada nova cena de ação, eu me segurava nas páginas com força. O que antes parecia ser um amontoado de cenas aleatórias, então ganham o foco e o perigo que estavam fazendo muito falta. Era a trama Badass e cheia de atitude finalmente se desenrolando diante dos meus olhos, como tanto desejava e esperava.
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Mesmo com todos os poréns e as devidas ressalvas, o saldo da minha leitura do 1º volume da ''trilogia Anômalos'' foi positivo. A trama possui um começo, um meio e um fim - apesar da autora deixar algumas perguntas sem respostas, o que acredito ser totalmente proposital. Todo o ambiente distópico é novo e refrescante, e em nenhum momento, nós pensamos ou fazemos comparações com os enlatados do gênero - o que é mais um ponto para a Bárbara. Tudo bem que continuo achando o começo um tanto quanto enfadonho e infantil - principalmente se levarmos em conta a idade dos personagens. Mas o que está feito, está feito. E o grande clímax do livro com certeza compensou toda a frustração da introdução. 
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Agora, só posso esperar pela aguardada continuação da história - que infelizmente ainda não possui nome, ou data de lançamento.
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Sobre a autora:
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Bárbara Moraes nasceu e mora em Brasília e está se graduando em Economia pela Universidade de Brasília (UnB). É membro da Aiesec, organização internacional voltada ao intercâmbio cultural e desenvolvimento de lideranças entre jovens, e uma leitora voraz. 
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Faz parte do Clube do Livro de Brasília e adora organizar eventos literários. Além de sua vasta experiência em trocar bilhetes em sala de aula, derrubar objetos por acidente e consumir cultura pop, ela escreve em seu blog, o Nem Um Pouco Épico. 
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Já teve contos publicados em coletâneas, e sua trilogia "Anômalos" será publicada pela editora Gutenberg. O primeiro volume, "A ilha dos dissidentes", foi lançado em setembro de 2013.
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TÍTULO: A Ilha dos Dissidentes
SÉRIE: Trilogia Anômalos
PÁGINAS: 304
AUTOR(A): Bárbara Moraes
EDITORA: Gutenberg
NOTA: 3,5 estrelas

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