quinta-feira, 4 de abril de 2013

Coluna: Da Estante Para as Telonas #7

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''Na Minha Estante'' adverte: A resenha a seguir pode conter Spoilers ocasionais da trama abordada... Não que vá interferir em alguma coisa, mas é só para não falarem que eu não avisei!
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Sinopse do Filme:
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A fome e a violência foram erradicadas da Terra, bem como os problemas climáticos do planeta foram resolvidos. Estes feitos foram conquistados graças aos seres alienígenas conhecidos como almas, que ocupam corpos humanos como se fossem parasitas. Pregando uma sociedade baseada na paz, as almas perseguem os poucos humanos que ainda não foram dominados. Um deles é Melanie Stryder (Saoirse Ronan), que se sacrifica para que o irmão caçula, Jamie (Chandler Canterbury), possa escapar. Melanie passa a ser dominada por uma alma chamada Peregrina, que tem por missão vasculhar suas memórias para encontrar rastros de outros humanos. Entretanto, a consciência de Melanie ainda está viva dentro do corpo, o que faz com que Peregrina tenha que lidar com ela constantemente. Com o tempo, a alma fica cada vez mais fascinada com a vida e os sentimentos que Melanie tinha e passa a protegê-la de Buscadora (Diane Kruger), que deseja capturar seus amigos humanos o quanto antes.
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Trailer:
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O que eu achei?
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Não é segredo para ninguém que ''A Hospedeira'' é um dos meus livros favoritos de todos os tempos. Desde que eu li, no seu lançamento (saudades ano de 2009), eu me apaixonei completamente por este universo sci-fi e semi distópico criado pela Stephenie Meyer. Por isso, quando a adaptação foi anunciada, eu só faltei ter gatinhos  - tamanha a minha empolgação. Afinal, não seria qualquer um que colocaria as suas mãos sujas sobre a trama... O escolhido para dirigir e roteirizar a película era ninguém menos que Andrew Niccol, o criador de um dos meus filmes prediletos da infância: O Show de Truman (além dele ser conhecido pelos elogiados Gattaca, O Senhor das Armas, e outros).
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Tendo certeza da qualidade da adaptação, eu só observava as escolhas feitas por ele e por dona Meyer, que assumiu a cadeira de produtora. E ficava muito feliz. Confesso que algumas revelações meio que me surpreendiam de início (como a escolha de Diane Kruger para viver a antagonista da trama, e da elogiada Saoirse Ronan como protagonista - cujas características eram bem diferentes das versões originais do romance), mas logo relaxava - pois tinha plena certeza de que teríamos um filme de qualidade. E neste compasso eu esperei, observando de perto a produção da adaptação.
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Com cada sneak peak, cada poster, vídeo, prévia e etc., eu ia ficando mais satisfeito. Eu tinha certeza que iria gostar do longa, e tinha mais certeza ainda que veriam o filme de forma diferente - o tirando da sombra onipresente da obra mais conhecida (e também mais criticada) da Stephenie: A Saga Crepúsculo. Só que não foi bem isto o que aconteceu... ''A Hospedeira'' finalmente (para a minha alegria) entrou em cartaz. E choveram críticas negativas sobre a película.
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Eu fiquei chocado. Tinha plena certeza que a adaptação seria recebida ao menos de forma satisfatória - o que era muita inocência da minha parte. Quando entrei no Rotten Tomatoes, não podia acreditar na forma como a fita estava sendo mal avaliada. A situação estava pior do que eu poderia imaginar, e as notas conseguiam ser menores do que as dadas para o malfadado ''Crepúsculo'', de 2008. Mesmo negando para mim mesmo, fiquei com medo. Só que eu comecei à ler as reviews, e enfim percebi o que estava acontecendo. Não estavam julgando ''A Hospedeira'' por si. Estavam julgando a adaptação por ele ser de Stephenie Meyer, autora de Twilight - ''uma série teen de sucesso que é a escória do universo, nunca mereceu a atenção que recebeu e blábláblá''.
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E isto meio que me revoltou. Detalhes importantes como a direção, a cenografia, as atuações, a trilha... Tudo era deixado de lado, ou comentado bem superficialmente, só para dar ênfase à comentários do tipo ''como esta mulher escreve péssimo'', ''como ela não tem imaginação'' e ''estes jovens só gostam de porcaria''. E isto não acontecia apenas em uma ou duas resenhas. Aconteceu em - pelo menos - 85% delas. O que era ridículo, tamanho à infantilidade e o puro ''ataque hater'' de alguns argumentos. Por isto, fui no cinema mais decidido do que nunca à conceber a minha opinião - justa - quanto ao conjunto da obra.
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Agora, adivinhem o que eu descobri assistindo ao filme? Sim, ele não mereceu nem 10% dos ataques que ele acabou sofrendo por puro ''mimimi'' dos pseudo-cults chatos.
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Para começar, o tom do filme é completamente diferente de Crepúsculo. Assim como o livro, a trama traz em sua essência a pegada do amor em suas diversas formas, não só o lado o romântico da coisa. Sim, o filme tem romance e algumas frases bem breguinhas - afinal, ainda estamos falando da Meyer, peeps - mas nem de longe lembra a melosidade exacerbada da turma do Edward e da Bella. Sem teams ''fulano'' vrs. team ''cíclano''. Sem cenas desnecessárias de caras correndo sem camisa para delírio das adolescentes escandalosas. O que me leva à ressaltar que não houve gritinhos histéricos na sessão que eu fui. E acho que isto já diz tudo.
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Outra coisa que difere ''A Hospedeira'' de seus antecessores é o cuidado visível que a produção teve com a estética do filme. Os cenários são lindíssimos. De verdade. Eu simplesmente fiquei babando em como eles conseguiram deixar as cidades com um aspecto high tech e futurista usando e abusando apenas do clean. Os carros, motos e helicópteros metalizados deram um contraste super legal nas cenas do deserto. Mas o meu grande xodó, sem sombra de dúvidas, foram as Cavernas. Eu literalmente babava sempre que conhecíamos um detalhe novo do lugar. E os meu set favorito foi o da plantação, com o seu teto espelhado.
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Além de sua cenografia, acho que também vale ressaltar em como a fotografia e os efeitos especiais se encaixam. O CGI é usado de forma bastante moderada, mas são seguros e limpos - além de nos darem estas coisas lindas que são as almas e o ponto de embarque delas na Terra.
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Para quem se preocupou, as atuações estão boas e os atores realmente captaram a personalidade dos personagens. Tudo bem que no começo eu meio que me choquei e fiquei com cara de ''Wtfh?!'' (pensando ''OMG! Entendi por quê estão xingando tanto o filme) na hora em que Saoirse Ronan se divide em duas e começa à conversar com ela mesma. Mas logo a estranheza inicial foi embora, e eu conseguia identificar claramente quem era a Melanie e quem era a Peg/Wanda (Nota pessoal: achei a Mel do filme mais divertida do que a do livro... Não melhor, apenas mais divertida).  As atuações de William Hurt e Diane Kruger também me convenceram, e eu vi claramente o jeitão do Tio Jeb e a intensidade e impertinência da Buscadora.
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Por falar na ''Buscadora'', o filme deu mais destaque para a personagem, e eu gostei de verdade das cenas sob o ponto de vista dela.
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Aos fãs dos casais que ficaram na dúvida se o filme iria se focar mais em Melanie e Jared e deixar Ian e Peg de lado: Não, o filme não deixa ninguém de lado. Muito pelo contrário, acho até que o Andrew conseguiu explicar muito bem a dinâmica do ''Um corpo - Duas consciências completamente diferentes''. Tanto é que eu não tive a sensação de quadrilátero nenhum... São dois casais, cujo as garotas dividem o mesmo espaço físico. Ponto.
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Enfim, eu gostei de verdade da adaptação. É lógico que não daria para colocar tudo que tem no livro nas telonas, mas o essencial e as cenas mais importantes estão lá. O Andrew realmente conseguiu captar a essência e o clima que nós temos no livro e transportar ele para as telas. Mesmo sabendo a história de cor, eu me emocionei assistindo as cenas no mesmo momento em que me emocionei enquanto lia as mesmas. Mesmo assim, não considero ele um ''filme para todos''. Toda a tensão, o clímax, é voltado para o lado emocional - não o físico, e isto pode incomodar quem vai no cinema para ver explosões e coisas voando.
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Para finalizar, tudo o que eu posso dizer é: Gostou do livro ou gosta de como a Stephenie Meyer conta as suas histórias? Então, com certeza você vai adorar o filme. Mas se você não gosta de ''A Hospedeira'', ou é hater da autora, nem perca o seu tempo... Esta adaptação não foi feita para você. Vai assistir outra coisa, e não perturbe quem esta na sala para ver a história. Assim, todos ganham.
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Ficha Técnica:
Nome: A Hospedeira
Diração: Andrew Niccol
Roteiro: Andrew Niccol, baseado no romance de Stephenie Meyer
Elenco: Saoirse Ronan, Max Irons, William Hurt (...)
Nome Original: The Host
Gênero: Sci-fi, Drama, Romance
Distribuidora: OpenRoad/Imagem Filmes
Lançamento: 2013
Idioma: Inglês
Nota: 4,0 Estrelas

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