segunda-feira, 5 de março de 2012

Debate: Jogos Vorazes vs. Battle Royale

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Então, desde o nosso último encontro por intermédio desta coluna, venho pensando em vários assuntos para colocar na roda. Foram muitos mesmo, e só de imaginá-los daria para manter o blog atualizado até o meio do ano! Mas, sempre que eu tentava colocar para fora o que eu estava pensando, nenhum deles me pareciam corretos para levantar a pauta no momento... Foi quando março finalmente começou, e um clima distópico tomou conta dos ares da blogosfera literária - graças à iminente estréia da adaptação de Jogos Vorazes nos cinemas.
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Sim, a euforia toma conta das ruas (menos, Henri, bem menos...). Tanto nos blogs sobre literatura jovem, quanto em sites sobre Cinema, no twitter, no Facebook ou no falecido e quase enterrado Orkut, não se fala em outra coisa. E não seria por menos - o marketing do filme nestas mídias sociais está pesado. Só que, com as luzes dos holofotes sobre a série de Suzanne Collins, um velho assunto mais uma vez vem à tona e enchem a tela dos nossos PC's com a seguinte questão: Seria Jogos Vorazes uma versão americanizada e menos ''violenta'' que o romance japonês Battle Royale?!
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Este assunto meio que já surgiu por aqui no nosso último ''Da Estante Para as Telonas'', cujo o foco foi justamente a adaptação do livro de Koushum Takami. E, assim como eu disse na ocasião, volto à repetir: Não, eu não acho que Jogos Vorazes seja parecido com Battle Royale. O universo dos dois podem ser o mesmo, mas a trama que move as histórias não é. Como eu bem expliquei no outro texto, HG fala principalmente sobre o conflito e a eterna luta entre classes e a alienação de uma sociedade em prol de uma minoria, enquanto BR aborda a falta de comunicação entre as gerações, a perda da autoridade dos mais velhos e do controle sobre os mais jovens.
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Isto deveria ser tudo, mas a discussão sobre o sucesso de um e o negligenciamento do outro (esta palavra existe?!) fica mais ferrenha à cada dia que passa. Os fãs da obra de 1999 acusa a mídia de ''virar a cara'' para a verdade, que - segundo eles - é que The Hunger Games é uma versão mais pueril do mundo sádico da Lei de Reforma Educacional do Milênio. Já os fãs da trama da Menina do Tordo faz vista grossa, e afirma que as acusações do primeiro grupo são infundadas, e que as duas histórias são completamente diferentes.
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Bom, se querem saber a minha opinião, eu acho que os dois grupos estão completamente errados. Não tem como negar que Jogos Vorazes tem sim suas semelhanças com Battle Royale (principalmente quando o foco é o Mangá, que é a base de muitos fãs do filme de Kinji Fukasaku, mas que - por muitas vezes - toma grande liberdade na hora da adaptação, o que acaba se distanciando um pouco do livro que deu origem aos dois). Mas também não dá para afirmar com tanta convicção que a americana leu a criação do escritor oriental e suavizou um pouco as coisas para o seu público... 
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Se formos seguir esta linha de pensamento, qualquer livro/filme/seriado que tenha jovens se enfrentando em um torneio mortal seria um plágio de Battle Royale. Querendo ou não, esta base é muito recorrente em romances e contos, devido ao grande interesse e clamor histórico que os duelos de Gladiadores da Roma Antiga e as Justas Medievais sempre geram, e sempre irão gerar. E isto não esta presente só nas distopias jovens. Podemos citar também como exemplo o episódio do covil do Jabba em Star Wars, e até mesmo o Torneio Tribruxo de Harry Potter e o Cálice de Fogo (que, para quem não sabe, é o meu livro favorito da série. Coincidência?! Eu acho que não...). 
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Na verdade, a grande inovação que Suzanne Collins e Koushum Takami fizeram foi justamente unir este tema já arraigado na imaginação popular ao mundo moderno, aliado com a crítica política que uma distopia pode se propor à fazer. E nem isto é lá muito original, já que os dois bebem - e MUITO - de uma fonte bastante conhecida por todos, que é o romance 1984, de George Orwell, cujo o tema é o totalitarismo de um governo ''imaginário'' (sim, entre aspas, não é peeps?!) e a alienação de uma população.
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E isto nos trás a toda ironia da questão... Quem diria que duas obras cujo um dos temas é justamente a alienação do povo, poderia formas umas das fanbases mais alienadas de toda a história?! Pois, sim, eu me tornei fã dos dois universos. Mas não posso negar que tentar entrar em uma conversa racional com os dois grupos é quase que pedir para ser executado em praça pública pela Capital e pelo Exercito da República. E isto não se resume somente aos fãs das duas distopias... Quem me segue no twitter já me viu reclamando bastante sobre os xiitas-superiores de Harry Potter, as fangirls enlouquecidas de Crepúsculo e os pseud0-cults dos livros do John Green. Se formos reparar bem, o mal destas discussões todas se encontram justamente nestes grupos de fãs. E isto explica um bocado por que eu nunca entrei para nenhum fã-clube em toda a minha vida...
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O que eu gostaria de exaltar, e acho que meio que perdi o foco ali em cima, é que obras como Jogos Vorazes e Battle Royale deveriam estar acima desta confusão toda de quem nasceu primeiro, quem copiou quem e quem manda um ''Twilight Sucks'' melhor que o outro (Esta última, por sinal, uma manifestação hiper desnecessária. Mas isto fica para um próximo debate...). Principalmente devido à toda crítica embutida neles sobre o pensamento pequeno e reacionário. Mas o que poderíamos fazer, não é mesmo?! O ser-humano é uma criatura implicitamente passional. E quando o assunto em questão são as nossas paixões, sempre vai ter alguém que vai perder a linha e te fazer sentir Vergonha Alheia.
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Mas e aí, o que você acha sobre esta disputa?!

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