quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Coluna: Da Estante Para as Telonas #4

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''Na Minha Estante'' adverte: A resenha a seguir pode conter Spoilers ocasionais da trama abordada... Não que vá interferir em alguma coisa, mas é só para não falarem que eu não avisei!
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Sinopse do Filme:
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"No início do milênio, a nação entrou em colapso. Com uma taxa de desemprego de 15%, dez milhões não tinham emprego. 800 mil estudantes boicotaram a escola. Os adultos perderam a confiança e, temendo os jovens, aprovaram, conseqüentemente, a Lei da Reforma Educacional do Milênio, também conhecida como Lei Battle Royale - um jogo promovido pelo ministério da educação e pelos militares,  no qual jovens de uma única turma do Ensino Médio são enviados para uma ilha deserta, onde todos devem se matar no prazo de dois dias até restar apenas um único participante, que será nomeado o vencedor. "
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Trailer:
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O Que eu Achei?
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Se existe uma história que sempre tive curiosidade de conhecer,  principalmente devido à sua famigerada correlação com a trilogia Jogos Vorazes, de Suzanne Collins, é Battle Royale. Originalmente lançado no Japão no ano de 1999, o livro de Koushum Takami fez tanto sucesso e provocou tantas polêmicas em seu país natal, que deu origem à uma série de Mangás e à duas produções cinematográficas - sendo apenas a primeira, lançada em 2000, a única que segue fielmente (Entre aspas, né galera? Estamos falando de uma adaptação) a trama abordada no romance.
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Infelizmente, o livro ainda não foi traduzido para o português. Tenho esperanças que, com o lançamento da adaptação de ''Jogos Vorazes'' no cinema, alguma editora nacional aproveite a onda distópica e publique a obra por aqui. Mas as chances são mínimas... pois é. Porém, tanto o livro quanto o filme já ganharam o status de cult pela crítica, e o diretor Quentin Tarantino (de Bastardos Inglórios, Pulp Fiction e blá,blá,blá), considerou a adaptação como um dos 10 melhores filmes dos últimos tempos (tanto é que, como prova da adoração dele pela película é que a atriz que faz a estudante assassina de Kill Bill vol. 1 fez parte do elenco original de Battle Royale... é claro, como uma estudante assassina! Rsrsrs).
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Em 2007 (sim, SETE anos depois), o filme chegou por aqui direto para o DVD pela Visual Filmes (?), com o título de ''Batalha Real''. Mas é aí que as coisas se complicam: Encontrá-lo é uma tarefa digna do Torneio Tribruxo. Por isso, como eu estava morrendo de curiosidade - e não queria esperar Eras até o Book Depository (com partic. especial do Correios) decidir em qual ano eles iriam me entregar um exemplar Britânico ou Americano do romance - eu decidi baixar o filme com legendas em inglês mesmo.
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Então, para começar, vamos falar logo das ''semelhanças'' entre ele e Jogos Vorazes.
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Todo mundo sabe que as duas histórias são distopias, com protagonistas adolescentes que são enviados para uma competição televisionada sanguinária (e desumana) promovida pelo governo para lutarem entre si até restar apenas um único jogador. Sim, os dois tem praticamente o mesmo pano de fundo como o motor da trama. Só que as coincidências param por aí. Enquanto os Jogos Vorazes é um ''Reality Show'' anual exibido para todo país com um certo status de Grand' Espetáculo - como forma de controle de um governo totalitário em um futuro quase apocalíptico. o Battle Royale é quase que um programa educacional de um país contemporâneo regido por uma ditadura, em resposta à rebeldia adolescente diante de uma forte crise financeira e de autoridade dos mais velhos.  O primeiro aborda a anarquia política e o fantasma do fascismo. O segundo retrata um confronto direto de gerações, e uma busca quase insana  pelo retorno da ''ordem natural''. E isto, por si só, anula qualquer fantasma de ''plágio'' que possa surgir na mente de um leitor incauto - apesar da discussão ainda ser  bastante acalorada dentro de muitos grupos de fãs de ambos (ao que eu responderia que todos bebem da mesma fonte, que é - na verdade - o livro 1984, de George Orwell).
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Então, com esta dúvida já posta de lado, vamos falar do filme propriamente dito.
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Se você não está acostumado à ver muitos filmes japoneses, logo eu o alerto sobre as atuações. Repletas de ''gags'' de interpretação e muitas expressões exageradas, você tem que estar no espírito certo para assistir ao filme sem encará-lo como uma piada. E, sem sombra de dúvidas, de cômico ele não tem nada. As cenas de luta e as mortes dos participantes do BR beiram à loucura e ao sádico. São cabeças explodindo, sangue jorrando para todos os lados, corpos sendo perfurados... Se você tem estômago fraco ou nervos fracos, com certeza este filme não foi feito para você.
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A lição de hoje é... Vocês vão matar uns aos outros!
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Além das cenas explícitas e violentas, temos também toda a tensão que estes jovens estão sentindo e que transborda pela tela. Os competidores são praticamente sequestrados, e todos - inclusive a mídia - sabem disto. Os alunos são levados para uma ilha deserta, e lá são informados do que está acontecendo. Esta foi uma parte que me chocou muito, pois as regras do Jogo eram explicadas em tom de deboche, como se os adolescentes participassem de um novo programa infantil. Quem tem a coragem de encarar seus carcereiros e lutar contra o programa, morre na hora pelos militares que tomam conta da ''arena''. O desespero é total e completo. Todos recebem uma ''coleira'' que indicará onde eles estão, e se os jovens tentarem fugir, ou entrarem em zonas proibidas, o rastreador é acionado e o portador explode pelos ares.
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Tudo em Battle Royale é elevado à última potência. Eles precisam se esconder um dos outros, se esconder dos organizadores da competição e, além do mais, correr contra o tempo. Afinal, se após dois dias o jogo não houver um vencedor, todas as coleiras serão ativadas e... acho que não preciso completar.
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A a direção e a edição do filme merecem um comentário à parte. Sempre que um aluno falece, somos informados na tela com um obituário frio e opressor, que além disto, marca as horas em contagem regressiva para o término do jogo. O corte das cenas são diferenciados e imprimem um ritmo ágil e de videoclipe para o longa, que já antecipava uma tendência que Hollywood começa a se arriscar agora - quase dez anos depois. Sem falar, é claro, da crueza da narrativa, que nos mostra mais do que pedimos e que não polpa nem mesmo os seus heróis e aqueles personagens do qual nos apegamos. E isto já se mostra pela abertura do filme, que constrói um retrato perturbador da situação toda, com a  última vencedora de uma edição anterior do Battle Royale cercada por jornalistas, agarrada à um ursinho de pelúcia e coberta de sangue da cabeça aos pés - gargalhando ensandecidamente. 
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Quem quer brincar comigo?
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A única coisa da qual eu tenho a reclamar é quanto ao final. Depois de sermos levados ao extremo em uma montanha russa visceral, achei a conclusão um pouco apressada e não tão épica diante da magnitude de sua própria trama. Não sei se isto foi uma herança do livro, uma falha do roteiro na hora da adaptação ou se foi apenas um erro na montagem final... Mas isto me incomodou um pouco. Porém, fora este detalhe, o filme me conquistou. Eu  não desgrudava os olhos da tela um minuto sequer, tamanho era o Circo de Horrores que se desenrolava à minha frente. Na mesma hora, entendi o por quê deste filme ser tão cultuado por muitos, e praticamente invadi este círculo.
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Com certeza recomendo, e muito, Battle Royale - ainda mais em época de ''esquenta-distópico'' para a estréia de Jogos Vorazes nos cinemas de todo o mundo. Não vejo a hora de conseguir por as minhas mãos em um exemplar do livro, e a partir de agora, estou correndo todos os cantos atrás do DVD do longa. Mas logo eu aviso para todos que estão lendo esta coluna: Esta história não foi feita para todos...
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... Apenas os mais fortes sobrevivem.
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Ficha Técnica:
Nome: Battle Royale (Batalha Real)
Diração: Kinji Fukasaku
Roteiro: Kenta Fukasaku, baseado no romance de Koushum Takami
Elenco: Tatsuya Fujiwara, Aki Maeda, Takeshi Kitano (...)
Nome Original: Batoru Rowaiaru
Gênero: Aventura, Drama, Terror
Distribuidora: Toei Company/ Visual Filmes
Lançamento: 2000
Idioma: Japonês
Nota: 4,5 Estrelas

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