sexta-feira, 10 de junho de 2011

Entrevista: Bate Papo com André de Lima

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Para quem não conhece, André de Lima é o autor da série ''Territórios''.
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Pernambucano de nascença,  atualmente mora no estado de São Paulo. O escritor, mais conhecido pelos amigos como Ikeda, adora escrever, assistir filmes, elaborar jogos e programá-los, sair pra beber e divagar sobre a vida. Seu primeiro livro, ''O Cinturão de Fogo'', foi lançado de forma independente no início do ano - e também foi a primeiríssima parceria que eu fiz aqui no blog ''Na Minha Estante''.
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No post de hoje, vou compartilhar com vocês uma entrevista super legal que eu fiz com ele no mês passado - e vamos descobrir mais como ele pensa na vida de escritor de fantasia aqui no Brasil e conhecer mais detalhes e novidades sobre a série ''Territórios''.
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1ª) Olá, André. Estou muito feliz por você ter aceitado em participar deste post aqui do blog ''Na Minha Estante''. Escrever um livro não é uma tarefa fácil, e requer muito tempo e energia. Então, de onde veio a inspiração para a série ''Territórios'' e como foi o processo de escrita do Primeiro livro? Quanto tempo levou desde o rascunho até a versão final?
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Olá, Henri. Antes de responder, gostaria de agradecer a oportunidade de participar do seu blog, realizando essa entrevista, e também pedir desculpas pela demora para responder.
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A inspiração para a série Territórios veio de uma maratona que fiz quando estava na casa dos meus pais. Comprei dois livros e os li numa tacada. Minha cabeça, então, virou um turbilhão de ideias e acabei tendo uma insônia braba. Uma das soluções para minhas insônias é escrever. E foi isso que eu fiz.
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Já o ''Cinturão de Fogo'', na verdade, veio justamente do resultado de uma noite de escrita intensa. Como eu escrevi a linha geral da série, precisava no momento detalhar melhor alguns fatos e acrescentar o elemento “estória” dentro dessa linha geral. Daí surgiu não só o ''Cinturão de Fogo'', como ''A Canção da Terra'' e os próximos 4 livros que ainda não posso revelar o nome (Risos).
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Do rascunho para o livro foi um processo bastante rápido. Com menos de uma semana tinha ''O Cinturão de Fogo'' pronto  - pois a maior parte da estória já estava escrita na linha geral da série. Foi só adaptar alguns fatos e personagens. 
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2ª) Publicar um livro aqui no Brasil não é uma tarefa fácil - ainda mais quando se escolhe o rumo da publicação independente (como você fez). O que te levou à seguir este caminho e quais são às vantagens e desvantagens da auto-publicação?
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Confesso que como todo autor, meu sonho era ter meu livro publicado em editoras, participar de feiras de livros, noites de autográfos, etc. Contudo, não sou uma pessoa muito paciente. Então o tempo de resposta das editoras era insuportável para mim. A ansiedade nesses momentos acabaram sendo meu pior inimigo.
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Outra coisa que pesou para eu publicar de maneira independente foi a falta de compromisso, talvez até de ética, de várias editoras. Sei que recebem milhões de manuscritos para avaliar, mas como autor eu gostaria de ter a oportunidade de saber se receberam meu livro, se ele está sendo analisado, se ele foi recusado, coisas desse tipo.
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A maior vantagem de publicar de forma independente é a liberdade de você poder mostrar seu trabalho para o mundo, sem que precise antes que várias pessoas avaliem se comercialmente seu livro é rentável. Outra vantagem é você criar um laço mais estreito com seus leitores, já que muitas vezes você acaba conhecendo a pessoa que está lendo seu livro. Afinal o trabalho não termina depois do livro publicado. A partir daí, temos que assumir a função de vendedor.
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Uma desvantagem é justamente a última vantagem citada. Para você divulgar seu trabalho, é necessário tempo e disposição. Então é difícil conciliar estudos, trabalho, tempo para escrever, tempo para outros projetos e divulgação com dias com só 24 horas. Se pudesse, eu faria o dia durar pelo menos 72 horas. (Risos)
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3º) Para você, é muito difícil ser um jovem escritor de fantasia no Brasil?
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Acho um pouco difícil sim. Ser desconhecido e ainda brasileiro! É quase como assinar o atestado de nunca-ser-reconhecido. Infelizmente no Brasil é assim. A literatura estrangeira é muito mais valorizada que a nacional. Apesar do cenário estar mudando, ainda há um longo caminho a ser percorrido até que a literatura nacional seja encarada com o mesmo respeito que a internacional. Torço para que isso aconteça logo e espero ajudar nessa mudança.
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4º) Agora, falando um pouquinho da história, qual foi a cena de ''Territórios: O Cinturão de Fogo'' que te deu mais prazer em escrever... E qual foi a mais difícl?
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Na verdade, o livro inteiro foi muito prazeroso e difícil de escrever. Como você falou na resenha que postou aqui no blog, todo fato tem relevância na história e ligá-los é um trabalho difícil. Em relação as cenas que explicam um pouco da história do livro, as minhas preferidas são o primeiro capítulo e o final do capítulo dez.
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Já as batalhas são com certeza a cereja do bolo. Elas agitam a atmosfera do livro e narrá-las de um ponto de vista em que o leitor irá se sentir participando da batalha também é bem difícil. Contudo, ao ver que as pessoas realmente estavam se sentindo dentro das batalhas, foi o suficiente para me deixar muito feliz e ver que valeu a pena rachar a cabeça.
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Então, para as cenas mais prazerosas de escrever, eu votaria nas batalhas - como na luta entre Alf e Dustan. Já na que tive mais trabalho de escrever, votaria na cena final do capítulo dez, quando o professor Heródoto conversa com Emma e Alf.
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5°) Com relação aos personagens, entre mocinhos e vilões, existe algum preferido? E, se não, qual foi o que surgiu mais fácilmente durante o processo de escrita?
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É difícil escolher um personagem preferido. Amo eles como imagino que os pais amem os filhos, já que simbolicamente somos criações deles (Risos).
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Contudo, o personagem que surgiu mais facilmente durante o processo de escrita foi Emma. Pessoas próximas chegaram a perguntar se me inspirei na minha namorada para traçar as características dela. Bom, conscientemente posso afirmar que não, mas como a escrita também vem do insconsciente, acho que por isso ela surgiu tão facilmente. (Risos)
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6º) Quando lemos/escrevemos um livro, vemos a história se desenrolar em nossa mente como um filme. Se ''Territórios: O Cinturão de Fogo'' tivesse os seus direitos de adaptação comprados, qual atores você gostaria que protagonizassem a aventura e qual diretor comandaria a produção?
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Essa é uma pergunta difícil já que sou péssimo com nomes de atores e atrizes principalmente eles sendo adolescentes. Sinceramente não conheço nenhum ator/atriz que eu veja e me lembre algum personagem. Mas para diretor eu ficaria em dúvida entre Steven Spielberg e Peter Jackson.
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7º) Nos últimos dias, temos visto algumas novidades sobre ''Territórios: A Canção da Terra'', o segundo volume da série. Será que poderia nos adiantar um pouquinho como será a nova história e qual será o clima presente no livro?
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No segundo livro, Alf terá a difícil missão de derrotar o segundo General do Marquês Tiranus. Dessa vez, Alf terá também a ajuda de seus amigos do “presente” como Juliana, Paula, Tom, Bia e Thaís.
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O ritmo do segundo livro irá seguir o do primeiro, contudo a parte da história irá ganhar um destaque maior o que tornará o clima do livro um pouco mais tenso e misterioso do que o primeiro (como pode ser visto pela capa). Diria até que mais adulto do que o primeiro.
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É isso. Não posso falar demais senão acabo contando tudo. (Risos)
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8°) Bom, a entrevista está chegando ao fim. Então, para finalizar, qual seria o seu conselho para todos aqueles que sonham em - um dia - escrever o seu próprio livro e publicá-lo?
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Queria dizer que escrever e publicar um livro é trabalhoso, às vezes tedioso e precisa de muita paciência. Contudo, todas as dificuldades são pequenas quando vemos pessoas se interessando pelo que escrevemos com tanto carinho e afinco. Por isso, se sonham em escrever e publicar um livro, não deixem de ir atrás desse sonho.
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Um grande abraço para todos os leitores do blog “Na Minha Estante” e amantes da literatura nacional.
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Gostaria de aproveitar a resenha também para fazer um pedido. A literatura nacional precisa da ajuda dos leitores. Então se qualquer livro lhe interessou, chamou sua atenção, superou suas expectativas, não deixem de divulgar e ajudar os autores nacionais nessa caminhada. Afinal, os autores pouco são sem leitores.
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Pode deixar, André... Tenho certeza que, não só eu, mas como todos os visitantes do ''Na Minha Estante'' vamos apoiar ainda mais nesta campanha pela divulgação da Literatura Jovem Nacional!
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Link para a Resenha de ''Cinturão de Fogo''.

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