domingo, 13 de fevereiro de 2011

Resenha: Perfeito & Borbulhante

''Na Minha Estante'' adverte: A resenha a seguir pode conter Spoilers ocasionais da trama abordada... Não que vá interferir em alguma coisa, mas é só para não falarem que eu não avisei!
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Sinopse:
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Tally finalmente é perfeita. Agora seu rosto está lindo, as roupas são maravilhosas e ela é muito popular. Mas por trás de tanta diversão – festas que nunca terminam, luxo e tecnologia, e muita liberdade – há uma incômoda sensação de que algo importante está errado. Então Tally recebe uma mensagem, vinda do seu passado, que a faz se lembrar qual é o problema na sua vida perfeita. Agora ela precisará esquecer o que sabe ou lutar para sobreviver – as autoridades não pretendem deixar que alguém espalhe esse tipo de informação.
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O que eu achei?
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Sei que estou enrolando séculos para fazer esta resenha, mais isto se deve à um único motivo: Eu gostei MUITO de ''Perfeitos''. E, quando eu gosto MUITO, MUITO mesmo, de um livro, eu não sei o que falar sobre ele.
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Até por que, o livro em si não é ''perfeito''. Na verdade, se eu pudesse descrever esta continuação da série ''Feios'' em um única palavra, eu diria que esta seria ''Agridoce''. Há momentos em que você não vê a hora de chegar no próximo capítulo... Já em outros, você não quer virar nem a página seguinte.
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Não que o livro seja chato de se ler (acho que repito isto sempre que eu falo esta frase, mas nem tem outra forma de me explicar). Mas por que ele é uma verdadeira montanha russa de emoções. Quando você pensa que, finalmente, tudo está indo para o caminho certo, alguma coisa desanda e nossas esperanças vão para o espaço.
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Outra coisa que eu achei legal em ''Perfeitos'' foi o desenvolvimento do ''triângulo amoroso''. Vou confessar uma coisa: Eu simplesmente ODEIO quando um escritor apela para este tipo de artíficio... Mas o Scott Westerfeld desenvolveu tão bem esta característica da nova trama, que este foi um dos RAROS livros em que eu gostei de todos os envolvidos no Triângulo. Sim, pois agora não é só Tally & David... E sim Tally & David & Zane, líder dos Crims - um grupo de perfeitos que não se ''esqueceu'' dos tempos de Feios, e que gostam de se manterem borbulhantes.
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Em falar em ''borbulhante'', ao ler o livro, não entendi a implicância de muitos com o termo... Pois ''borbulhante'' não é só uma gíria de perfeito. Na verdade, ele é um estado de consciência - quando a pessoa ''supera'' por algum tempo as lesões presentes nos cérebros operados e enchergam o mundo como ele realmente é. Na verdade, até passei a usar a palavra ''borbulhante'' no meu vocabulário - eu sei, também estou com vergonha disto!
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Voltando ao triângulo, uma das coisas que eu mais gostei durante a leitura foi o fato do Scott ter colocado os personagens do triângulo como os responsáveis pelo clímax do livro. Os capítulos finais nos fazem ficar com o coração literalmente na mão, o que não é pouca coisa. Quando mais perto da ''decisão'' você chega, mais aflito você fica. Pois nós sabemos que não é uma simples escolha entre David e Zane... É muito mais que isto. Tally tem que escolher entre o seu passado e o seu presente - já que, querendo ou não, ela não é mais a mesma dos primeiros capítulos de ''Feios''. O que nos leva à uns dos ''finais'' mais tristes e cruéis que eu já pude presenciar em um romance YA.
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E isto não tem nada a ver com a Operação e suas lesões.
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Mas o romance é só um pano de fundo para a saga. Na verdade, a trama-motor de ''Perfeitos'' continua sendo a crítica social camuflada de fantasia High-Tech. A todo o momento, eu me pegava imaginando o que faria se estivesse na pele dos personagens... O que eu faria se eu tivesse a oportunidade de alterar, nem que fosse um pouco, esta nossa sociedade hipócrita, que só pensa na aparência e no que as pessoas podem oferecer.
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O que me revelou um bucado de mim mesmo. E, vamos falar francamente, entre todas estas opções que estamos tendo nos dias de hoje, qual livro voltado para o público jovem adulto nos faz parar para refletir sobre alguma coisa, nem que seja por um segundo?
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O Ponto Alto
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Agora que eu terminei de ler ''Perfeitos'', eu me lembro de - pelo menos - dois momentos em que eu simplesmente não consegui desgrudar os meus olhos das páginas do livro.
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O primeiro deles foi quando os Crims resolveram destruir o Ringue de Patinação flutuante - que ficava em cima do Estádio Nefertiti - só para deixar a população de Nova Perfeição em um estado Borbulhante. A cena é fantástica, e você cosegue sentir ''a queda'' de Tally e seus amigos enquanto está lendo. Juro que fiquei esperando os blocos de gelo e as fagulhas dos fogos de artifício me atingirem durante a leitura. Nunca uma cena de ação havia me prendido tanto, desde os livros de Harry Potter.
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O segundo momento que me marcou muito em ''Perfeitos'' foi a fuga de Tally de Nova Perfeição. Esta cena se destacou mais pelos conflitos apresentados pelos personagens do que pela fuga em si. Juro que fiquei meia hora pensando qual seria a minha atitude naquele ponto de decisão - onde, qualquer caminho que você tome, não tem mais volta - e acabei me descobrindo um pouco mais do que pretendia.
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Momento Desnecessário
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Apesar da narrativa do Scott e, por consequência, o livro serem ''Perfeitos'', houve alguns momentos que me incomodaram durante o leitura, e que podiam muito bem terem ficado de fora da versão final. Um deles é quando a Tally cai - literalmente - na tribo dos Pré-Enferrujados, depois da sua fuga expetacular de Nova Perfeição.
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Não me entendam mal, as cenas em si não são chatas, mas meio que quebraram a adrenalina que fluía momentos antes no livro. Sei que esta foi uma forma do autor falar dos Pré-Enferrujados (principlamente de sua natureza, e do mundo ''além'' da influência dos Especiais), mas ele poderia muito bem ter feito isto, e abordado estas questões, apenas com o surgimento do personagem Andrew Simpson Smith - e já estaria de bom tamanho.
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Quem me conquistou?
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Andrew Simpson Smith. Um Pré-Enferrujado. Um Homem Sagrado. Um simples personagem secundário. Ao mesmo tempo em que pode ser brutal, ri e fala tudo o que lhe vem na cabeça - como uma criança. Cheira mal, tem um dente falatndo, cicatrizes no rosto... Mas ele foi a companhia que Tally recebeu no momento em que mais precisava, e o personagem que nos faz continuar ligados na história quando a trama atravessa o seu ponto mais difícil (vide o ''Momento Desnecessário'' acima).
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Se existe uma definição para um personagem ''Divo'' (no masculino mesmo...), Andrew Simpson Smithy com certeza preencheria a maioria dos requisitos.
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Quem eu odiei?
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Eu poderia seguir o padrão e dizer que foi a Dra. Cable - ou, até mesmo, a Shane. Mas, quem eu odiei DE VERDADE foi o Paris. Por que ele é fútil, acomodado com as coisas erradas, só faz as coisas por que os amigos estão fazendo e não tenta mudar em nada. E por que isto me fez ver que eu sou parecido com ele. O que foi cruel para mim - quando finalmente parei para pensa e fiz o paralelo enter nós dois, percebendo que tomaria a mesma decisão que ele quando chegasse o momento da ''escolha''.
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E isto me deixou com mais ódio do Paris. Pois, parecendo ou não, eu quero mudar. Eu quero me tornar uma pessoa melhor, mais ativa, que expõe o que pensa e ''não vai na onda''. E espero sinceramente que ele também reflita sobre isto.
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A Capa
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Quem assistiu a 2ª edição do ''Meu Carrinho'', viu a brincadeira que fiz com a capa de ''Perfeitos'' - a chamando de ''Kama Sutra Teen''. Mas como eu disse, foi uma brincadeira. Afinal a capa de ''Perfeitos'' é realmente bonita, e - principalmente - chama a atenção. Mesmo seguindo o estilo ''Capa de Revista'' da 1ª edição americana, a versão Brazuca consegue ter mais personalidade do que a original. Por isso dou ''Dez Crims se juntando à Nova Fumaça'' (ou Mil mili-Helenas, se preferir) para a equipe de Designers da Galera.
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Minha Playlist
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Música: Fuckin' Perfect - Artista: Pink
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Não tem como não escutar 'Fuckin' Perfect' e não se lembrar da série ''Férios'', Ver como a nossa Sociedade está cada vez mais fútil, buscando uma ''perfeição'' má e cruel... Ver como, a cada dia, mais pessoas se machucam tentando buscar um ''padrão'' desigual, e que muitos apenas estimulam isto.
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O que é TOTALMENTE errado.
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A letra de Pink se encaixa por completo no contexto crítico criado por Scott Westerfeld. Não existe uma ''Beleza Padrão''. Não existe um pensamento, um jeito de ser, ''padrão''. NÓS somos o que NÓS somos. Sem tirar nem colocar.
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Perfeitamente diferentes.
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TÍTULO: Perfeitos
TÍTULO ORIGINAL: Pretties
AUTOR(A): Scott Westerfeld
EDITORA: Galera
NOTA: 9,5

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