terça-feira, 9 de março de 2010

Resenha: Demônio de Torcida

Jennifer Check e Anita ''Needy'' Lesnicki são melhores amigas desde a infância - o que por si só é um caso para lá de improvável. A primeira é lider de torcida, popular entre os alunos da Devil's Kettle High School e o objeto de desejo de todos os garotos, de todos os grupos e classes socias... Já a segunda é totalmente Nerd, desajeitada, caipira, tímida e só ganha as atenções de seu namorado Chip.
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Esse poderia ser o começo de mais um romance adolescente açucarado se não seguisse um rumo completamente diferente...
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Quando a banda indie Low Shoulder anuncia o seu primeiro show na pequena cidade, Jennifer resolve convencer a ''BFF'' esquisitona à aconpanhá-la no concerto, realizado no único bar local - uma espelunca chamada Melody Lane. Os integrantes do grupo são quase celebridades, e essa parece a oportunidade perfeita para a garota popular conseguir um passaporte grátis para longe de Onde Judas Perdeu as Botas.
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Tudo corria as mil maravilhas, e Jennifer tinha o vocalista da banda na palma de suas mão... Porém, durante o show, coisas estranhas começam a acontecer, e um enorme incêndio atinge o bar - matando mais da metade do público presente no lugar. Por pura sorte, Needy e a amiga conseguem escapar do inferno na Terra. Mas contrariando todo o bom senso, a líder de torcida resolve dar uma ''fugida'' com os garotos da banda - deixando Anita à beira das lágrimas, na frente da grande pira humana.
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Para piorar as coisas, horas depois da tragédia, Jennifer aparece na porta da casa de Needy, suja, para lá de estranha e definitivamente possuída por alguma coisa. A garota invade a casa da garota, assalta a geladeira da amiga e - ainda por cima - vomita uma terrível gosma preta e viva em todo o chão de linóleo, só para depois quase levar Anita à loucura.
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Mas isto parecia não ser o bastante para deixar o mundo pacato de Needy de cabeça para baixo.
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Logo no dia seguinte, ainda respirando a tragédia no bar Melody Lane, a cidade de Devil's Kettle é abatida por outro acontecimento. Jonas Kozelle, membro da equipe de futebol da escola, é encontrado morto no bosque atrás da escola, desfigurado e parcialmente devorado.
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Aquilo parecia o ápice. Needy e o resto da população se vêem no meio de redemoinho de sangue e medo, e - diferente do resto da cidade - Jennifer parece estar no ápice da sua juventude, teimando em falar para a amiga que a cena que ela a vira totalmente trastornada não passara de sua imaginação... E o pior, a desconhecida banda Low Shoulder aproveita sua fama repentina para se aproveitarem e alavancam as vendas de seus Cd's.
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Depois disso tudo, Needy só conseguia pensar: O que havia de errado com sua BFF e os garotos do grupo indie? Qualquer que fosse a sua resposta, não deveria ser nada parecida com o que de fato ela descobriu.
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Confesso que, quando eu li a breve sinopse de ''Garota Infernal'' (no original ''Jennifer's Body'' - e não, o resumo aí de cima não é o oficial) eu não fiquei nem um pouco interessado na trama. O filme (sim, pois o livro é romanceado a partir do roteiro) conta com Amanda Seyfreud, uma das poucas atrizes jovens que tem a minha simpatia - porém também tem Megan Fox como protagonista, e não posso dizer em nenhum momento que eu seja um grande admirador dos trabalhos dela.
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Então, como cheguei a ler ''Garota Infernal''? A resposta é um tanto engraçada - para não dizer ridícula...
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O que me fez ficar tentado a comprar o livro foi a música ''New Perspective'', do Panic! at The Disco. Alguns devem saber, mas a muito tempo eu curto o som da banda. Então, quando soube do novo clipe deles, logo eu corri para ver - e logo levei o susto em descobrir que era o tema principal da trilha sonora do longa. Vendo o clipe, que é intercalado com cenas-chave da trama, pela primeira vez fiquei tentado a ver o filme.
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Pouco tempo depois, fui na livraria comprar o quarto volume da série ''A Mediadora'' - mas ao invés de encontrá-lo, me deparo com o romance de ''Garota Infernal''. E é aí que estava a minha segunda surpresa positiva com relação ao mesmo... O roteiro era assinado por ninguém menos que Diablo Cody, autora do ótimo ''Juno''. Você deve estar se pensando ''não acredito que ele não sabia disso!'', mas com sinceridade, eu não sabia.
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Depois de namorar por um bom tempo o fino volume, resolvi testar a minha sorte e levar o livro para casa. Foi neste momento que eu me deparei com a minha terceira surpresa positiva: A história era ótima!
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Responsável em transformar em livro os textos da ex-stripper e ganhadora do Oscar de Melhor Roteiro, Audrey Nixon conseguiu captar e dosar muito bem as altas doses de humor negro presentes no original. Mesmo sendo narrado em primeira pessoa por Needy - assim como no filme, que lança mão da conhecida ''voz-off'' - o livro é rico em detalhes, além de não poupar o leitor das cenas mais fortes (apesar de que, na telona, as cenas de sexo e do beijo lésbico serem apresentadas com menos pudor do que em sua narrativa).
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A trama passa de momentos divertidos à de pura tensão em poucos parágrafos - sem falar que, assim como a protagonista, nós também desconfiamos do que pode estar acontecendo de errado com Jennifer, só não temos ciência do quão grande é esse problema. Pois, como a própria Needy diz: ''Alguém tem que dar um basta na Jennifer''...
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Mas não esperava nem um pouco que este ''basta'' seria tão divertido. Recomendo!
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ps: O filme ''Garota Infernal'' já pode ser encontrado nas locadoras no formato DVD e Blue-Ray.
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TÍTULO: Garota Infernal
TÍTULO ORIGINAL: Jennifer's Body
AUTOR(A): Diablo Cody & Audrey Nixon
EDITORA: Record
NOTA: 9,5

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