quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Resenha: Em defesa de ''Amanhecer''

Em tempos em que a literatura de fantasia cada dia mais sai da marginalidade e vem encontrando espaço livre nas estantes dos jovens leitores, no ano de 2008 foi lançado nos EUA o último livro de uma das séries mais amadas - e também mais odiadas - da última década: ''Breaking Dawn'' (ou ''Amanhecer''), quarto volume da ''Saga Crepúsculo''.
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Para a grande maioria da fanbase, o livro prometia - Casamento de Bella & Edward, o destino de Jacob, a iminente transformação de Bella em vampira, o retorno dos Volturi - sem falar do frenesi causado pela mídia em cima da adaptação do 1º volume da série para o cinema... Contando com isso, o público, em sua maioria feminino, correu para as livrarias mais próximas e garantiu o seu exemplar da obra, dando passe livre para que Amanhecer fosse um dos livros mais comprados e disputados do ano.
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Mas, depois de alguns dias - talvez até algumas horas - de leitura, eis que uma bomba cai na pacata cidade de Forks: mais da metade dos leitores odiavam o desfecho dado à trama, sem falar daqueles que amaldiçoavam Stephenie Meyer - mente-criadora do fenômeno literário - até o último dia de sua vida por estragar a sua ''série perfeita''.
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Parando para ler os comentários pós-lançamentos, fiquei me perguntando o por que de todo esse alvoroço. Afinal, pelo o que eu havia apurado, Meyer tinha seguido a risca o que o seu público esperava. Mas só com o tempo fui percebendo o que de fato havia irritado tanto os fãs... Bella fica grávida de Edward, tem uma filha híbrida - por quem, ironicamente, Jacob sofre um imprintg - e que acaba causando um terrível confronto com o clã ''líder'' dos Vampiros.
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Ainda sem entender o reboliço, fui descobrindo pouco a pouco a indignação dos fãs, e me deparei com algo que não esperava ler tão cedo sobre a obra: Stephenie Meyer prometeu uma Grande Batalha Final que não aconteceu!
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Para mim, essa foi a grande gota d'água; afinal, a ''Saga Crepúsculo'' sempre foi conhecida por focar o lado emocional das personagens, ao invés de explorar grandes cenas de ação (não que eu esteja dizendo que os personagens da série da Humana e seu Vampiro sejam profundos, mas o enredo da trama nunca foi para o lado mais ''físico'' da fantasia).
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Foi só então que, depois de eu mesmo ler o livro, descobri o REAL problema da coisa toda:
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O grande mal de Breaking Dawn foi os fãs esperarem algo épico, quando na verdade nunca algo de tal porte iria acontecer...
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OS Volturi - os ''vilões'' de ''Amanhecer'' - SEMPRE forma muito Blábláblá, Gogó e Poses... mas nunca foram dados à ação de fato - vide o final do segundo livro, Lua Nova. A tensão do final, com as despedidas e tudo mais, foram realmente sublimes e desesperadoras. Mas como disse, eu nunca esperei reação nenhuma da ''realeza'' vampiríca.
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Analisando APENAS como livro, o final foi realmente brilhante, pois a Stephenie colocou toda a sensação da perda que uma luta causa, mas quebrou o paradígma de que todo encerramento de série fantástica tem: A obrigação de narrar uma Grande Batalha Final.
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É claro que para um filme, que envole o visual, esse final seria no mínimo brochante. Mas as pessoas devem entender que a ''Saga Crepúsculo'' são uma série de LIVROS. Ele tenta mexer com as emoções do espectador, e nisso posso dizer que o mesmo cumpriu o combinado. Os filmes são apenas a recompensa do sucesso dos livros, e o autor não deve - nem pode - se ater à algo cinematográfico quando se está escrevendo...
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Stephenie, ao escrever a Saga, sempre se ateve mais as emoções do que à ação em si... e isso se via desde o primeiro. Esperar algo diferente nos últimos segundos do 2° tempo, me desculpem, é coisa de gente iludida. E isso eu nunca fui - quero dizer, fui apenas no 1°, mas depois de ver qual era a real proposta da Meyer, eu me desecanei totalmente.
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É claro que o final de ''Amanhecer - O Filme'' - ou filmes, sabe-se lá o que se passa na cabeça do pessoal da Summit - será épico e majestoso. Afinal, o próprio livro dá essa brecha e, como o filme trata quase que exclusivamente do visual, essa é uma artimanha que tenho certeza que eles não vão jogar fora.
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Mas o que eu aprendi com o final de Amanhecer é que temos estar ciente de uma coisa: Livro NÃO é Filme... Os dois são mídias diferentes e separadas, que às vezes - e põe às vezes nisso - se encontram. Tentar encontrar um dentro do outro só vai gerar frustração quando nos dermos de cara com exemplos como um Breaking Dawn da vida... Pois, quando vemos que nossas expectativas de anos - ou meses - não foram cumpridas, jogamos a culpa toda em cima do autor, quando na verdade os iludidos desde o princípio fomos nós mesmo.
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Por isso aconselho: Separem os dois e sejam felizes!!! Se começar a ler um romance, não espere encontrar ação no mesmo... E digo o mesmo, ao contrário. Afinal, são poucas as vezes que um autor tem a dádiva de saber mesclar vários elementos narrativos em uma mesma obra.
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TÍTULO: Amanhecer
TÍTULO ORIGINAL: Breaking Dawn
AUTOR(A): Stephenie Meyer
EDITORA: Intrínseca
NOTA: 8,0

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